Ministro do TCU defende correção da outorga da Eletrobras em R$ 63 bilhões

Equívocos nas estimativas de preço da energia a longo prazo, no risco hidrológico e na taxa de desconto do fluxo de caixas resulta em uma subavaliação da venda da estatal, afirma Vital do Rêgo

Anna Russi, da CNN, em Brasília
Compartilhar matéria

Após pedir vista em dezembro de 2021, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, apontou três falhas na modelagem e precificação da desestatização da Eletrobras.

Segundo ele, equívocos nas estimativas de preço da energia a longo prazo, no risco hidrológico e na taxa de desconto do fluxo de caixas resulta em uma subavaliação de R$ 63 bilhões da venda da estatal.

“Falhas na modelagem e nos parâmetros de precificação utilizados resultam no desfazimento de patrimônio da União por valor menor do que de fato ele representa, com consequências deletérias para o setor elétrica”, afirmou durante seu voto em sessão extraordinária nesta terça-feira (15).

Vital do Rêgo defendeu que seja considerada a potência total das hidrelétricas nos cálculos. Além disso, o ministro contestou as regras de repasse do risco hidrológico.

“O valor do VAC (Valor Adicionado aos Contratos) perfaz o montante de R$ 130,4 bilhões. Isso implicaria em R$ 63,7 bilhões destinados à CDE e R$ 57,2 bilhões ao Tesouro Nacional. Senhores ministros, pergunto se nós vamos permitir que o processo seja sequenciado com um valor de outorga de R$ 23 bilhões destinados ao Tesouro e R$ 32 bilhões para modicidade tarifária”, questionou ao citar simulações da SeinfraElétrica solicitados por ele mesmo.

O ministro ainda fez apontamentos sobre o impacto tarifário da desestatização. Segundo os cálculos da SeinfraElétrica apresentados por ele, o consumidor será onerado em cerca de R$ 5,2 bilhões e R$ 10,3 bilhões por ano, totalizando um montante de R$ 52,4 bilhões a R$ 104,2 bilhões em 30 anos. Isso equivale a um aumento tarifário de 4,3% a 6,5% ao ano.

“Os dados constantes dos autores não permitem aferir o real impacto setorial (tarifário) sobre os consumidores decorrentes da desestatização. […] Dizem que precisamos privatizar para aumentar os investimentos e ter neutralidade tarifária mas Não está previsto nenhum investimento e a neutralidade tarifária alegada pelo ministério, a agência reguladora diz que não”, afirmou.

Assim, o voto do ministro Vital do Rêgo, condicionando a desestatização ao cumprimento das determinações para a correção de falhas na modelagem e na precificação da desestatização, inviabiliza a privatização da estatal no momento. Em seguida, o ministro Benjamin Zymler votou pela aprovação da privatização nos moldes do governo e defendeu que as determinações no voto do ministro Vital do Rêgo sejam recomendações.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais