Não há mudança do ponto de vista qualitativo, diz Guedes sobre revisão no Caged

Ministro da Economia afirmou que PEC dos Precatórios trará previsibilidade para os gastos públicos

Ministro falou sobre a importância de modernizar o Mercosul
Ministro falou sobre a importância de modernizar o Mercosul Wilson Dias/Agência Brasil

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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O ministro Paulo Guedes falou nesta sexta-feira (5) sobre a revisão de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) que reduziu pela metade a geração de vagas em 2020. Para ele, “não há mudança do ponto de vista qualitativo” pensando no fenômeno de geração de emprego.

Durante a III Conferência de Comércio Internacional e Serviços do Mercosul, Guedes também falou sobre a importância da PEC dos Precatórios. O acordo para reduzir em 10% a tarifa aos produtos negociados foi citado pelo ministro como um passo para a modernização do bloco.

“Nós protegemos 11 milhões de empregos no mercado formal [durante a pandemia], com um saldo líquido na criação de emprego. Não há mudança do ponto de vista qualitativo se criou 3 milhões ou 3 milhões e 50 mil de empregos, como o Caged reportou no erro. Não altera o fenômeno, o Brasil preservou um 1/3 dos empregos formais”, afirmou.

Guedes também disse que o Brasil conseguiu arcar com os gastos adicionais para enfrentar a pandemia, mantendo a meta de reduzir a relação dívida-PIB (Produto Interno Bruto). Nesse sentido, ele citou leilões, privatizações e desalavancagem de bancos públicos como essenciais para evitar uma alta na dívida.

Ele também defendeu a PEC dos Precatórios, que, segundo o ministro, surgiu devido a uma alta “fora de controle, uma escalada vertiginosa” no valor dos precatórios, quantias que o governo precisa pagar após decisões judiciais.

“Jamais questionaremos o mérito das decisões da Justiça, têm que ser cumpridas, mas uma coisa é a exequibilidade de um orçamento e a previsibilidade desses gastos. A primeira formulação da PEC dos Precatórios é que se pagasse as de pequeno valor e se fracionasse os de maior porte, para dar mais previsibilidade dos gastos públicos”, disse.

Com isso, Guedes afirmou que a PEC pode submeter as despesas ao teto de gastos. Os valores que ultrapassassem o teto seriam “pagos no ano seguinte ou imediatamente com um menu de ofertas que foi oferecido, como privatizações, leilões”.

“Estamos esperando agora esse equacionamento fiscal. E nós precisamos dessa consolidação para que haja sequência na nossa pauta internacional, primeiro porque estamos fazendo esses acordos, que foram interrompidos pela pandemia e estamos nos desdobrando para sair desse buraco negro”, disse.

Mercosul

O ministro da Economia também falou sobre a relação do Brasil com o Mercosul, bloco econômico criado na década de 1990 que reúne o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Para ele, o bloco “criou um ambiente favorável de sustentação das democracias liberais na região sul da América Latina, mas não foi bem-sucedido do ponto de vista econômico”. Guedes defendeu uma modernização do Mercosul para permitir uma maior integração com o comércio internacional.

“Lamentavelmente não conseguimos transformar o Mercosul nessa plataforma de inserção global. O Brasil continua sendo uma das economias mais fechadas do mundo”, disse. O primeiro passo para isso, segundo ele, é a implementação da redução de 10% nas tarifas para 87% dos produtos negociados entre os países membros.

“É importante que o Mercosul nos permite mais flexibilização, para estimular, ajudar nesse processo pela força maior da região integrada”.

Ainda durante o evento, Guedes defendeu que o petróleo brasileiro seja mais explorado antes que ele se torne uma “lembrança fóssil” conforme o mundo migra para fontes renováveis.

Ele também afirmou que o Brasil planeja aumentar a presença da sua agenda no G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, em um contexto de países emergentes assumindo a presidência rotativa da organização nos próximos 3 anos.

“Queremos um olhar de quem explorou melhor os recursos naturais nas últimas décadas, e tem que haver um pagamento por isso. O Brasil é campeão nisso. Temos que mudar um pouco o eixo dessa conversa”, afirmou.

Guedes também criticou países europeus como França e Bélgica por estarem “usando um argumento ambiental para atacar o Brasil em defesa de um protecionismo de setor agrícola deles”. Os países estão entre os principais opositores da ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

“A árvore em pé vale mais que a no chão, e estamos desenvolvendo o mercado de crédito de carbono e a agricultura de baixo carbono. Se há subsídio na agricultura, que seja para o pequeno produtor ou para a agenda verde. E já temos 15% de energia eólica e solar e restauração da energia nuclear. O Brasil é verde, é um parque digital. Ele será um protagonista importante do futuro verde e digital”, disse.

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