Nestlé Purina anuncia fábrica de ração para pet com investimento de R$ 2,5 bi

Nova unidade será na cidade de Vargeão, em Santa Catarina, e vai abastecer mercado de alimentação para animais de estimação do Brasil, Estados Unidos, Europa, Ásia e Oceania

Unidade produtiva da Purina em Ribeirão Preto (SP)
Unidade produtiva da Purina em Ribeirão Preto (SP) Nestlé/Divulgação

Ana Carolina Nunesdo CNN Brasil Business

em São Paulo

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Com investimento total de R$ 2,5 bilhões, a Nestlé lançou na quarta-feira (15) a pedra fundamental de uma nova planta da sua unidade de negócios Purina, com produção que será dedicada inteiramente à alimentação pet. De olho em um segmento que cresce ano a ano, a fábrica deve começar a operar parcialmente no quarto trimestre de 2023 e em sua totalidade no segundo trimestre de 2024.

Com a nova unidade, a multinacional passará a exportar também para países da Ásia e Oceania. Hoje, a fábrica da Purina em Ribeirão Preto (SP)  já atende aos mercados europeu e estadunidense, que também serão abastecidos com a produção da nova unidade, que fica na cidade de Vargeão, no oeste do estado de Santa Catarina.

De acordo com a Nestlé o lançamento da unidade marca o encerramento das celebrações de 100 anos da empresa de origem suíça no Brasil e é o maior investimento para a construção de uma unidade fabril desde 2017.

Marcel de Barros, CEO da Nestlé Purina no Brasil, a marca, que aumentou 20% sua participação no mercado nos últimos quatro anos, se prepara para o crescimento do segmento pet, calculado em 30% em 2021, quando deve faturar perto de R$ 47 bilhões, de acordo com projeção do Instituto Pet Brasil.

Segundo a Abinpet (Associação Brasileira de Produtos para Animais de Estimação), o segmento de alimentos responde por 75% do mercado pet, R$ 27,02 bilhões de movimentação em 2020, crescimento de 21,2% em relação ao ano anterior.

“Apesar do salto de 2020 e 2021, entendemos que a aceleração não vai continuar no mesmo ritmo, mas deve seguir crescendo duplo dígito, em, pelo menos, 10% ao ano”, diz Marcel de Barros.

A empresa se prepara para atender ao mercado de olho nas estimativas da Euromonitor, que apontam que o Brasil deve abrigar a quase 112 milhões de pets em 2025. O país já é o terceiro maior mercado do mundo em número de cães e gatos, com 81,5 milhões de pets atualmente (10,8% da população mundial), perdendo para os Estados Unidos e a China.

O mercado pet já vinha em trajetória de subida, mas a pandemia ajudou a impulsionar esse crescimento. Puxada pelos felinos, a população mundial de pets cresceu quase 2% em 2020 em relação a 2019, informa o Pet Brasil.

Além da maior procura por animais de estimação, o que favorece esse segmento é que os animais passaram a ter novo status no núcleo familiar. Se no passado se alimentavam com as sobras de comida de seus donos e ficavam da porta das casas para fora, hoje eles têm outro tipo de relacionamento e cuidados por parte de seus donos, lembra Marcelo Melchior, CEO da Nestlé. “Tudo que é lançado para o humano também chega aos pets, como alimentos mais saudáveis ou até veganos. Há um vínculo mais sólido hoje”, diz Melchior.

Um dos destaques da linha Purina é a ração para gatos, lançada em maio deste ano, que ajuda na alergia de humanos aos felinos, causada por um alérgeno presente na saliva do gato. “É o primeiro alimento pet food desenvolvido para gatos que reduz a produção natural do alérgeno, sem prejuízo ao animal, e que reduz em 47% o impacto nos humanos”, explica Barros.

A ração é tecnologia patenteada pela empresa e resultado de oito anos de pesquisas e desenvolvimento. O produto faz parte do portfólio de patentes que a marca cria por meio do Purina Institute, que abriga mais de 500 cientistas com orçamento anual de US$ 300 milhões para o desenvolvimento de tecnologia em alimentação pet.

A nova fábrica da Nestlé Purina, que deve gerar 200 empregos diretos na cidade, está planejada dentro do conceito indústria 4.0, com alto nível de automação na produção e envase. Segundo a empresa, foi desenvolvida uma tecnologia exclusiva para alimentos úmidos. A planta também prevê uso de fontes renováveis de energia e menor consumo de água, assim como se adequa à política  da empresa de zero destinação de resíduos para aterros sanitários.

“Nossa tecnologia permite superioridade de nossos produtos,  tanto nutricional, como de palatabilidade, estética – com diferentes texturas que aumenta a atratividade. Produzir diferentes texturas em alimentos úmidos é complexo. A planta vai ter ‘estado da arte’, com menor impacto ambiental, sem dejetos, energia renovável com geração por biomassa, dentro do compromisso da empresa de zerar as emissões de gases até 2050”, diz Marcel de Barros.

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