Nível crítico dos reservatórios de água exige redução da demanda, diz economista

Virginia Parente. professora e economista da USP, explicou que infraestrutura do sistema hídrico não cresceu no mesmo ritmo da população

Produzido por Juliana Alvesda CNN

Em São Paulo

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A falta de chuva e o nível crítico dos reservatórios de água no país podem resultar em medidas mais duras para evitar o racionamento, avalia a economista e professora do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), Virginia Parente.

Na Grande São Paulo, por exemplo, reservatórios já funcionam em um nível menor do que os registrados em 2013, ano que antecedeu a maior crise hídrica do estado.

A especialista classificou os níveis do Sistema Cantareira, responsável por abastecer quase 50% da região metropolitana de São Paulo, como “inacreditavelmente baixos”.

“A questão do uso consciente é fundamental, mas, além disso, podemos necessitar de medidas mais duras, do mesmo modo que está ocorrendo com a energia elétrica”, disse Virginia. “Como uma sinalização de metros cúbicos de água mais caros para quem exceder a média, uma eventual penalidade ou até mesmo racionamento.”

Segundo ela, o ideal é que os reservatórios de água brasileiros fossem plurianuais, ou seja, que aguentassem um ou até três anos com baixas chuvas.

“O que ocorre é que a população e o país vão crescendo, e não estamos conseguindo fazer a infraestrutura acompanhar no mesmo ritmo”, explicou. “Para haver equilíbrio, temos que equilibrar oferta com a demanda. No curto prazo, é impossível mexer na oferta.”

Por isso, Virginia listou ações que podem ser feitas para diminuir a demanda de água da população. “Pode-se fazer isso compulsoriamente, com multas e penalidades — ou com incentivos, dando premiações para quem reduz espontaneamente a sua demanda, dando abate na conta além daquele que ocorreria por estar consumindo menos água.”

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