Número de reclamações contra companhias aéreas cresce 83% em 2022

Constatação faz parte de um levantamento feito pela reportagem da CNN com base em dados compilados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon)

Avião da Latam Airlines aterrissa no Aeroporto Santos Dumont, na região central do Rio de Janeiro
Avião da Latam Airlines aterrissa no Aeroporto Santos Dumont, na região central do Rio de Janeiro Alexandre Brum/Enquadrar/Estadão Conteúdo (5.nov.2021)

Lucas RochaPedro Duranda CNN

No Rio de Janeiro

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O número de reclamações contra as companhias aéreas no Brasil cresceu 83% nos primeiros quatro meses de 2022, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. A constatação faz parte de um levantamento feito pela reportagem da CNN, com base em dados compilados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), entidade ligada ao Ministério da Justiça.

Entre janeiro e abril de 2022, as companhias aéreas registraram quase 55 mil reclamações. No mesmo período do ano passado, o setor teve 29,9 mil ocorrências. Em momentos anteriores à pandemia de Covid-19, os números eram bem mais modestos. Em 2019, por exemplo, as empresas aéreas tiveram 11,9 mil reclamações.

Os dados da Senacon apontaram ainda as três principais reclamações feitas pelos passageiros em 2022. Em primeiro lugar aparece a dificuldade do consumidor para reaver o dinheiro após o cancelamento da viagem. Logo na sequência, na segunda e terceira posição, despontam a resistência em cancelar as passagens aéreas já compradas e a dificuldade em entrar em contato com as companhias.

“Existem duas possibilidades para o grande número de reclamações. Ou elas [companhias aéreas] não estão respeitando as regras emergenciais, que regulam o reembolso ou remarcação, ou elas não estão orientando de forma correta os consumidores”, explicou Laura Tirelli, Diretora do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.

O casal Daniela Barbosa e Lucas Martinez estão entre os brasileiros que sofreram para remarcar a passagem aérea. A viajem, inicialmente marcada para o início de 2020, precisou ser adiada em razão do início da pandemia de coronavírus. No ano seguinte, após a melhora no cenário epidemiológico, o casal tentou redefinir a data para o passeio. No entanto, com as dificuldades impostas pela companhia aérea, eles precisaram entrar na justiça para conseguir viajar. E somente depois de um ano e meio de litígio judicial, Daniela e Lucas embarcaram rumo a Miami na última quinta-feira (19).

“Eles [empresa aérea] até entraram em contato com a gente, mas sempre com soluções absurdas. Um exemplo foi quando eles ligaram em uma segunda-feira, e sugeriram marcar a viagem para a terça-feira, ou seja, no dia seguinte. Ninguém viaja internacionalmente sabendo a data da viagem com um dia de antecedência. Outra sugestão que deram também foi a remarcação da passagem apenas da minha esposa, para ela ir sozinha. Não tem como levar a sério. Mas no fim, depois de muito esforço, deu certo”, afirma Lucas Martinez.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) disse que não vai se manifestar sobre o assunto.

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