Os planos da Volkswagen para bater Tesla e dominar mercado de elétricos nos EUA

CEO da Volkswagen, Scott Keogh, conversou com a CNN internacional sobre o cenário automotivo norte-americano, mirando na eletrificação para vencer a concorrência

Empresa planeja gastar mais de US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos para aumentar capacidades de pesquisa e desenvolvimento e fabricação na América do Norte
Empresa planeja gastar mais de US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos para aumentar capacidades de pesquisa e desenvolvimento e fabricação na América do Norte Foto: Fabian Bimmer/Reuters

Nicole Goodkinddo CNN Business

em Nova York

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A Tesla está na mira da Volkswagen.

A empresa de Elon Musk ainda impera, com mais de 936.000 veículos elétricos vendidos em 2021 e uma participação de cerca de 14% do mercado global de carros elétricos.

Mas a Volkswagen não fica muito atrás, tendo conquistado cerca de 11% do mercado no ano passado e dobrado suas vendas de veículos elétricos em comparação com 2020. Agora, a empresa está empreendendo esforços para assumir o primeiro lugar.

A Volkswagen vai dizer adeus ao motor de combustão interna e eliminar gradualmente todos os veículos movidos a gasolina de sua linha nos EUA na próxima década. A partir de então, venderá apenas carros elétricos.

A empresa planeja gastar mais de US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos para aumentar capacidades de pesquisa e desenvolvimento e fabricação na América do Norte. O novo Laboratório de Engenharia de Baterias em Chattanooga, Tennessee, inicia suas operações em maio.

Funcionários da Volkswagen dizem que veem uma abertura no mercado norte-americano e estão prontos para aceitá-la, que se danem os ventos geopolíticos e inflacionários.

O CEO e presidente do Grupo Volkswagen da América, Scott Keogh, conversou com a repórter Nicole Goodkind, da CNN Business internacional, sobre o cenário automotivo enquanto revelava a nova minivan elétrica, inspirada no VW Bus, ID.Buzz, no Salão do Automóvel Internacional de Nova York na semana passada. Confira:

A entrevista foi condensada e editada para maior clareza.

A Volkswagen está dando um grande impulso na América do Norte. Olhando para o cenário automotivo aqui, onde o você se encaixa?

Keogh: Nossos concorrentes são Subaru, Toyota e Honda – os principais importadores. Historicamente, estivemos lá, mas nos perdemos no deserto por um longo tempo, mas estamos de volta e é aqui que pertencemos.

E em termos de veículos elétricos?

Keogh: A eletrificação é a nossa chance de furar um pouco a fila. Investimos cedo na eletrificação, temos fábricas montadas e podemos acelerar agora. Esta é uma chance de ouro para nós.

Sempre admirei Elon Musk e Tesla, ele dizia ‘faça um carro legal e coisas boas acontecem’.

As pessoas não compram veículos elétricos porque querem se sentir bem ou porque querem ajudar a sociedade, a maioria só quer comprar um carro legal. Acho que Elon Musk fez isso e executou, e você tem que admirar isso. Estamos pegando esse fator de “carro legal” e ampliando-o, à maneira da Volkswagen.

Quais são alguns dos problemas que a Volkwagen está enfrentando nos EUA?

Keogh: Nós éramos irrelevantes e desprezados. Estávamos atrasados ​​para os SUVs, estávamos vendendo basicamente carros europeus, e perdemos.

A segunda coisa é o fiasco do TDI [em 2017, um juiz federal ordenou que a Volkswagen pagasse uma multa criminal de US$ 2,8 bilhões por “equipar veículos movidos a diesel para trapacear nos testes de emissões do governo”.] Estamos trabalhando duro para corrigir isso. Passamos a frota de carros SUVs de 14% para 70%, estamos ficando mais relevantes e esses veículos estão nos tornando mais apreciados.

Somos lucrativos pela primeira vez em décadas.

Como as torções na cadeia de suprimentos prejudicaram o fornecimento de automóveis?

Keogh: A forma como essa indústria costumava ser é que você teria um suprimento de 100 dias de carros no chão e gastaria de 10% a 12% do preço de varejo sugerido pelo fabricante, descontando esses carros. Os consumidores percorriam de seis a sete revendedores procurando o preço mais baixo. Foi uma maneira massiva de destruir valor.

Hoje, devido aos desafios da cadeia de suprimentos, temos menos de 10 dias de fornecimento de carros no local e você não está gastando nada do MSRP em incentivos. É uma mudança estrutural massiva e muito disso é bom.

Mas isso é temporário?

Keogh: Mais oferta virá, mas honestamente acredito que não há como voltar atrás. Há mudanças estruturais que precisam ser feitas em termos de aumento da produção de semicondutores e levará anos e anos e anos até que tenhamos uma oferta adequada.

Carros que costumavam ter centenas de chips agora têm mais de 5.000 semicondutores por causa da adição de eletrônicos de consumo. Não vejo essa escassez sendo consertada rapidamente, e isso supondo que o mundo continuará normal, ou apenas semi-caótico.

Então, como lidam com a escassez de metais, o níquel e o lítio necessários para alimentar baterias?

Keogh: Do ponto de vista estratégico, há apenas uma escolha. A indústria automotiva costumava ser verticalmente integrada em toda a linha. Então Wall Street entrou e disse ‘nós só queremos que você tenha o pico da margem’ e então pedaços da indústria foram terceirizados.

Isso foi lindo para nós, sentamos em nossa fábrica e as coisas chegaram. Agora as coisas estão se invertendo e, em termos de semicondutores e baterias, precisamos ir muito, muito mais fundo.

Então vê o cenário de fabricação na América mudando?

Keogh: A vantagem é que tudo vai acontecer nos EUA localmente, porque é muito caro e arriscado enviar toneladas de cobalto e lítio através do oceano. Isso nos leva de volta a quando dissemos que queríamos ser a Apple, e não a Foxconn – iríamos nos concentrar em trabalhos de design, trabalhos de engenharia e trabalhos de software, mas outra pessoa faria o produto.

Isso não será possível com baterias, você não pode enviar algo que pesa milhares de libras para 15 milhões de carros da China, será uma transformação.

A desglobalização é uma tendência que veio para ficar?

Keogh: Ah, 100%. Basta olhar para o que temos feito na Volkswagen. Nossas deficiências, na minha opinião, eram que costumávamos ser uma entidade de vendas e marketing que vendia veículos alemães. Agora somos uma empresa totalmente industrializada que tem as próprias fábricas e o próprio departamento de compras.

Cerca de 92% dos veículos que vendemos nos EUA são feitos em nossas fábricas no México e no Tennessee, e 85% do material do carro é local de fornecedores americanos. Isso diminui o risco de muitos problemas logísticos em potencial para nós.

Como encontra pessoas para trabalhar em sua tecnologia de bateria? Está tendo problemas com a equipe?

Keogh: Estamos trabalhando com o governador do Tennessee, Bill Lee, para introduzir mais treinamento técnico em nossa fábrica de Chattanooga. Acho que algumas das deficiências do sistema americano giram em torno da faculdade e das dívidas, mas existem outras maneiras de olhar para uma carreira e tivemos um sucesso decente nessa frente.

Um grande desafio na América agora é que nos mudamos para uma economia de serviços. Mas se você quiser olhar para a sua industrialização, nós fabricamos talvez meio milhão de baterias na América agora, vamos precisar fazer nove milhões de baterias. São centenas de fábricas, e colocar o talento lá, nas fábricas, será transformador.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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