Pandemia acelerou tendências históricas e vai deixar sequelas, diz ex-FMI

À CNN Rádio, o ex-diretor Otaviano Canuto afirmou que há divisão “muito clara”

Breno Esaki/Agência Saúde DF

Amanda Garciada CNN

São Paulo

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Em entrevista à CNN Rádio nesta quinta-feira (14), o ex-diretor executivo do FMI, Otaviano Canuto, avaliou que a “pandemia não está mudando a história [econômica]”, mas, sim, “ela acelerou algumas tendências da história.”

“Problemas de requalificação de mão de obra, de concentração de renda dos países avançados, endividamento público, rivalidade entre países e busca de mais autonomia, isso tudo estava lá, mas foi acelerado”, explicou.

Tudo isso gerará sequelas, segundo Canuto. “Essa pandemia vai gerar cicatrizes, como a distribuição de renda em todas as partes do mundo tendo piorado como resultado, a crise afetou principalmente os setores de serviços, a presença de trabalhadores de baixa qualificação, o efeito foi terrível. O endividamento público é outra sequela.”

Além destes fatores, há “uma divisão muito clara” do ritmo de recuperação entre os países avançados e os emergentes, para o ex-diretor do FMI.

Ele aponta dois grandes motivos para essa discrepância: “O abismo no acesso às vacinas contra a Covid-19, porque onde tem vacinação, a recuperação tem sido mais rápida e a capacidade diferenciada de se fazer políticas fiscais e monetárias de suporte à recuperação.”

Canuto avalia que o caso do Brasil passa por uma combinação de fatores econômicos preocupantes. “Há o repique inflacionário, com preços altos e desvalorização cambial, além da incerteza política, que assusta investidores e afasta o ingresso de capital. Tudo isso atinge principalmente os mais pobres, e para completar há a crise hídrica que eleva o preço da energia.”

Produção de Bel Campos

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