Pesquisa diz que 9 em cada 10 brasileiros não podem arcar com despesas de saúde

Custo de tratamento, dificuldade no agendamento de consultas e distância do domicílio são as maiores dificuldades relatadas pelos entrevistados

A presença do vírus da Covid-19 é muitas vezes descoberta apenas na hora da testagem para a doação de órgãos
A presença do vírus da Covid-19 é muitas vezes descoberta apenas na hora da testagem para a doação de órgãos Breno Esaki/Agência Saúde DF

Isabelle Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

Ouvir notícia

Nove em cada dez brasileiros afirmam que não têm condição de pagar por saúde de qualidade. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, divulgada nesta quinta-feira (28).

Cerca de 90% dos entrevistados afirmam não possuem condições financeiras para pagar por cuidados de saúde de boa qualidade. O levantamento, feito no Brasil e em outros 29 países, entrevistou 21.513 pessoas com idades entre 16 e 74 anos, entre os dias 20 de agosto a 03 de setembro de 2021.

Os principais entraves no acesso à saúde identificados entre os brasileiros foi o custo de tratamento, a dificuldade no agendamento de consultas e a distância entre o domicílio e as unidades de saúde.

De acordo com os dados, o percentual de brasileiros que afirmam não ter condições de ter gastos com saúde foi o mais alto entre todos os países analisados.

Além disso, sete em cada dez brasileiros (71%) acreditam que o sistema de saúde do país está sobrecarregado. Segundo a pesquisa, essa saturação pode ser um dos motivos que justifica a insatisfação dos brasileiros com os trâmites para agendamento de consultas médicas.

Cerca de 84% opinam que o tempo de espera para se conseguir uma consulta é muito longo e 47% acham difícil conseguir consultas médicas perto dos locais onde moram. Levando em conta também participantes de outros países, esses percentuais são, respectivamente, de 60% e 28%.

A pesquisa pediu que os entrevistados selecionassem, a partir de uma lista, quais os maiores problemas que os sistemas de saúde de seus países enfrentam atualmente. No Brasil, a questão mais citada foi a falta de investimento no sistema de saúde como um todo, com 51%.

Em segundo lugar, ficou a falta de investimento em saúde preventiva, com 50%. As dificuldades de acesso ao tratamento e os longos períodos de espera ficaram na terceira posição e foram mencionados por 45% dos entrevistados. Completam o top 5 brasileiro a burocracia (31%) e os tratamentos de baixa qualidade (26%).

Já na média de todos os países avaliados, a principal menção foi em relação às dificuldades de acesso ao tratamento e longos períodos de espera (41%). Em segundo lugar ficou a falta de funcionários (39%). O custo dos tratamentos apareceu na terceira posição (31%), seguido pela burocracia (26%) e pela falta de investimento em saúde preventiva (23%).

Apesar dos desafios, o Brasil está entre os países mais otimistas em relação ao futuro: 66% dos entrevistados locais acreditam que a qualidade do sistema de saúde a que possuem acesso vai melhorar nos próximos anos. É o segundo percentual mais alto de 30 nações.

Em primeiro lugar, está a Arábia Saudita (77%). A Colômbia (66%) fica empatada com o Brasil na segunda posição e a China está em terceiro (61%). A média global que aposta em uma melhora do sistema de saúde é de 34%.

Coronavírus segue sendo a grande preocupação

A pandemia de Covid-19 se manteve como o grande problema de saúde que as pessoas enfrentam no Brasil e no mundo.

Entre os brasileiros, 84% citaram a doença. Considerando todos os entrevistados, a doença foi mencionada por 70%, uma diferença de dois percentuais em relação ao ano passado, quando 72% dos respondentes globais opinavam que o novo coronavírus era o maior motivo de preocupação.

Entre os 30 países, o Brasil é o que mais acredita, empatado com a Malásia, que as vacinações contra doenças graves infecciosas graves deveriam ser obrigatórias. De cada 10 respondentes locais, 8 concordam com a premissa (81%). A média global é de 62%.

A pesquisa on-line foi realizada com 21.513 entrevistados com idades entre 16 e 74 anos de 30 países. Os dados foram coletados de 20 de agosto a 03 de setembro de 2021. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.

Mais Recentes da CNN