Petrobras anuncia investimento de US$ 16 bilhões na Bacia de Campos

Área que abriga campos maduros receberá novas plataformas ganhará dinamismo depois de perda de protagonismo com o pré-sal da Bacia de Santos

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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A Petrobras anunciou um investimento de US$ 16 bilhões para revitalizar os campos maduros de petróleo da Bacia de Campos, concentrada no Norte Fluminense e que se estende ao Espírito Santo.

O pacote anunciado estava previsto no plano de investimentos da companhia, de 2022 a 2026, e corresponde a 23% do volume projetado pela estatal para investimentos no período de cinco anos.

O aporte contempla as instalações de três novas plataformas e a interligação de mais de 100 poços, distribuídos entre os campos de Marlim e Roncador. De acordo com a companhia, esse é o maior projeto de revitalização da indústria offshore em todo o planeta.

Campos maduros são aqueles que superaram o pico de produção e estão em fase de declínio.

As novas plataformas são do tipo FPSO, sistemas flutuantes de produção, armazenagem e transferência de petróleo. Dois serão instalados no campo de Marlim e serão capazes de produzir, juntas, até 150 mil barris por dia.

O outro ficará no Complexo Parque das Baleias, na porção capixaba da bacia, com capacidade para mais 100 mil barris diários.

A Bacia de Campos é a segunda maior produtora do país, atrás apenas da Bacia de Santos, para a qual os investimentos migraram com a maturidade da produção do Norte Fluminense e diante das descobertas de abundantes reservas no pré-sal na bacia vizinha.

Diferentemente do que ocorre em Santos, as reservas de Campos estão concentradas no pós-sal.

Impacto potencial e perfil do investimento

Diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre 2012 e 2016 e coordenadora de pesquisa de óleo e gás da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Magda Chambriard entende que, com a medida, a Petrobras cumpre uma obrigação legal em áreas para as quais foi contratada pela União para explorar ativos em concessão.

O novo movimento gera uma perspectiva de maior arrecadação para estados e municípios da região.

“Agora, além de municípios como Campos dos Goytacazes, Macaé e outros do Norte Fluminense terem perspectiva de aumento de arrecadação, esse será um aumento que se contrapõe ao declínio. E não é só o volume de recursos de royalties. Há também o pagamento de participações especiais, pagas por campos muito rentáveis”, afirma a engenheira química.

A Petrobras prevê alcançar em 2026 um volume de exploração de 900 mil barris na bacia de Campos. Um volume três vezes maior do que haveria se não houvesse o investimento nas novas plataformas.

Coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) entende que o investimento é tímido e envolve uma série de desafios técnicos.

“No início da década passada, a Bacia de Campos chegou a receber investimentos de US$ 8 e 9 bilhões por ano, volume que foi reduzido de forma muito abrupta. A Petrobras, que chegou a ter ali 50 plataformas em operação simultânea, vendeu vários campos. A retomada tem outras características, com menos plataformas, adequações tecnológicas, integração de 40 poços e pequena operação em terra”, avalia Leão.

Professor de Economia do Petróleo e do Gás Natural da Escola Politécnica da UFRJ, Marcelo Simas lembra que a Petrobras pretende dobrar seu volume de reservas provadas de petróleo até 2032.

Atualmente, o montante é de 10,3 bilhões de barris, o que contribui para que o Brasil seja dono da 16ª maior reserva provada, de 11,9 bilhões de barris.

“Um quarto desse volume previsto é oriundo da recuperação de campos maduros. Esse aumento contribui para a valorização da empresa no mercado, uma vez que a produção em andamento sempre consome os estoques provados e é necessário ampliar as reservas para garantir produção. Também ajuda na contratação de crédito mais barato junto ao mercado”, avalia Simas.

Erramos: Inicialmente a reportagem informava que a Petrobras iria investir R$ 16 bilhões na Bacia de Campos. O correto, porém, é US$ 16 bilhões. A informação foi corrigida 

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