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    Pobreza entre crianças cresce com redução ou fim do auxílio emergencial, diz Unicef

    Fundo das Nações Unidas para Infância defende políticas públicas permanentes para tirar público infantil da vulnerabilidade social

    Segundo os dados do Unicef, em 2020, durante o pagamento mensal de R$ 600, o benefício impediu 4,4 milhões de crianças de entrarem na pobreza monetária
    Segundo os dados do Unicef, em 2020, durante o pagamento mensal de R$ 600, o benefício impediu 4,4 milhões de crianças de entrarem na pobreza monetária Daniel Tavares/PCR

    Pauline Almeidada CNN

    Rio de Janeiro

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    Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) monitorou o impacto social da pandemia de Covid-19 no Brasil e estima que 39,5% das crianças e adolescentes no país enfrentam a pobreza monetária — definida pelo Banco Mundial, para países de renda média alta, como viver com menos de US$ 5,50/dia.

    O percentual de 39,5% foi calculado para o segundo e o terceiro trimestres de 2021. Nesse período, o problema se intensificou com a redução do valor das parcelas do auxílio emergencial.

    Segundo os dados do Unicef, em 2020, durante o pagamento mensal de R$ 600, o benefício impediu 4,4 milhões de crianças de entrarem na pobreza monetária.

    O levantamento foi feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com números que permitiram observações em 2020 e, para 2021, simulações.

    A representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, destaca a importância do auxílio emergencial, mas ressalta que ele não resolve a desigualdade de maneira definitiva.

    “A pesquisa permite ver que, se não tivesse tido o auxílio emergencial, o impacto na pobreza monetária infantil teria sido em torno de dez pontos mais alto. Ou seja, foi uma medida fundamental para evitar que tivesse o efeito ainda mais forte nas crianças e adolescentes. Mas o que a pesquisa também mostra é que medidas desse tipo são importantes nesse momento de crise, mas elas também não resolvem o problema da pobreza”, colocou.

    Resultados da pesquisa

    Até 2020, segundo o Unicef, a pobreza atingia de 35% a 45% das crianças e adolescentes e 20% dos adultos. No caso da pobreza extrema (viver com menos de US$ 1,90 por dia), a média para esses grupos era de 12% e 6%, respectivamente, ou seja, a população infantojuvenil é mais impactada que a acima de 18 anos.

    Nos primeiros meses do auxílio emergencial, no caso da pobreza monetária, houve uma queda de 6 a 7 pontos percentuais para crianças e adolescentes. Para a população em geral, a redução foi de cinco pontos. Em relação à pobreza extrema, o índice caiu de 12% para 6% na população infantil; e de 6% para 4% entre os adultos.

    A partir de setembro de 2020, as parcelas de auxílio emergencial caíram de R$ 600 para R$ 300.

    “No último trimestre de 2020, o percentual da população total e de crianças e adolescentes abaixo da linha de pobreza monetária estava praticamente no mesmo nível de antes da pandemia. No caso da pobreza monetária extrema, os percentuais ficaram um pouco abaixo daqueles do último trimestre de 2019… Isso se explica pois, mesmo com metade do valor do auxílio, o benefício ainda permitia às famílias alcançar uma renda familiar per capita acima da linha de U$ 1,90 por dia”, diz a pesquisa.

    “É um indicador que permite medir realmente a situação da pobreza das crianças e adolescentes, sabendo que isso tem um impacto em muitas dimensões: nutrição, na própria saúde, educação, no desenvolvimento das crianças e adolescentes. Justamente naquela fase onde é tão fundamental ter acesso a todas essas várias dimensões”, colocou Florence Bauer.

    O auxílio emergencial foi suspenso no primeiro trimestre de 2021 e retornou mais adiante, com menos recursos. Mesmo com o valor menor, a pesquisa indica que o benefício impediu a manutenção da pobreza dos índices anteriores à pandemia.

    De acordo com o levantamento, enquanto esteve em vigor, ele foi responsável por evitar que cerca de 1,8 milhão de crianças estivessem em situação de pobreza monetária ou extrema.

    O levantamento ainda mostra as desigualdades enfrentadas no país. A pobreza monetária e a pobreza extrema entre crianças não brancas registraram índices cerca de o dobro das brancas. Além disso, entre as regiões do Brasil, Norte e Nordeste foram mais afetadas.

    Diante dos resultados da pesquisa, a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, defende a importância de ações para atender esse público.

    “O Unicef recomenda que essas políticas sejam desenhadas de maneira permanente e com uma garantia de recursos a longo prazo para, justamente, poder manter esse efeito de redução da pobreza na infância”, colocou.

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