Pobreza na América Latina: uma comparação entre países e o impacto da pandemia

2020 fechou com mais 22 milhões de pessoas pobres devido à Covid-19

Senhora caminha pelas ruas da Guatemala
Senhora caminha pelas ruas da Guatemala Scott Umstattd/Unsplash

Germán Padingerda CNN*

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As restrições impostas no contexto da pandemia, em 2020 e parte de 2021, afetaram fortemente a economia global, aumentando o número de pessoas pobres. E a América Latina, região particularmente afetada pela desigualdade, não foi exceção.

Os países latino-americanos registraram aumentos em suas taxas nacionais de pobreza. Mas a comparação entre essas taxas é difícil, pois cada jurisdição mede a pobreza de maneira diferente.

Para tentar remediar esse problema, o Banco Mundial desenvolve um índice baseado em dados oficiais de renda diária, que leva em conta três fatores: número de pessoas com renda de até US $ 1,90 (linha internacional de pobreza), até US$ 3,20 (linha de pobreza para economias de renda média baixa) e até US$ 5,50 (linha de pobreza para economias de renda média alta).

Em todos esses casos, o índice é medido pelos preços internacionais de 2011.

O primeiro limite, de US$ 1,90, também é considerado o de extrema pobreza, enquanto o último, de US$ 5,50, é o recomendado pelo Banco Mundial para comparar os países da América Latina, região considerada de renda média-alta pela instituição.

Pobreza na América Latina, país por país

Quais são, então, os países mais pobres da América Latina, de acordo com esta medição?

Honduras, Colômbia e Equador registram taxas de 49%, 29,4% e 25,4% de suas populações abaixo do limite de US$ 5,50 por dia, respectivamente, e de acordo com dados mais recentes de 2019. Não há dados oficiais recentes para Cuba, Nicarágua, Venezuela —onde as estimativas privadas falam de 94,5% de pobreza— e Guatemala.

Do outro lado da lista, Uruguai (3,2%), Chile (3,6%) e Costa Rica (10,6%) apresentam os níveis de pobreza mais baixos da região, de acordo com o mesmo patamar.

Pobreza na América Latina

Como os níveis de pobreza se comparam em diferentes países da América Latina?

Nota: Dados de 2019. Não há dados recentes para Cuba, Guatemala, Nicarágua e Venezuela. * Os dados mais recentes são de 2017 ** Os dados mais recentes são de 2018 / Fonte: Banco Mundial/Gráfico:Jhasua Razo, CNN

Em média, a América Latina registra uma taxa de pobreza de 3,7% abaixo do limite de US$ 1,90, 9,2% para US$ 3,20 e 22,5% para US$ 5,50.

Como ele se compara à média global?

Os níveis mundiais de pobreza são mais altos: 9,3% para o limite de US$ 1,90, 24,3% para o limite de US$ 3,20 e 43,5% para o limite de US$ 5,50.

Isso é, no entanto, uma melhoria substancial desde 1990, quando 35,9% da população mundial estava registrada para o limite de US$ 1,90.

O impacto da pandemia covid-19

Embora os dados para 2020 ainda não estejam disponíveis, as projeções do Banco Mundial já mostram um aumento significativo no número de pobres na América Latina como resultado da pandemia.

Tomando como referência o patamar de US$ 1,90, em 2019 estimou-se que havia cerca de 24 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza na América Latina.

Em 2020, o Banco Mundial estima que o número cresceu para 27,4 milhões de pessoas e cairia para 26,6 milhões em 2021, em meio a uma recuperação econômica rápida, mas desigual, após as restrições impostas pela pandemia.

Pobreza na América Latina de acordo com o limite de US $ 1,90 por dia

Milhões de habitantes

/ Fonte: Banco Mundial/ Gráfico: Jhasua Razo, CNN

“Nas duas décadas desde 1999, o número de pessoas vivendo na pobreza extrema em todo o mundo caiu em mais de 1 bilhão de pessoas. Parte desse sucesso na redução da pobreza será revertido por causa da pandemia da Covid-19: pela primeira vez em 20 anos, a pobreza provavelmente aumentará consideravelmente “, disse o relatório do Banco Mundial.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) observou em maio que a Colômbia está entre as economias que têm acelerado sua recuperação e que o México está, ao contrário, entre os atrasados.

“Mulheres, trabalhadores informais e os mais jovens são os mais afetados em termos de emprego, há um aumento das lacunas sociais na região”, disse Álvaro Pereira, diretor do Departamento de Economia da OCDE, à CNN.

Já a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que produz seu próprio índice, ofereceu uma estimativa ainda superior à do Banco Mundial: 22 milhões de pessoas teriam caído na pobreza na região em 2020, elevando o total para 209 milhões, dos quais 78 milhões viveriam em extrema pobreza.

Para a CEPAL, e com os dados de 2019, 30,5% da América Latina seriam pobres e 11,3% em extrema pobreza. Até 2020, ele estima que os números teriam subido para 33,7% e 12,5%, respectivamente.

Com informações de Paula Bravo Medina e José Manuel Martínez da CNN en Español

*(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original, em espanhol)

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