Presidente da Argentina diz que país entrou em acordo com FMI

Segundo ele, acerto com o FMI não obriga o país a fazer uma reforma trabalhista e nem a chegar a um déficit zero

Estadão Conteúdo*

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O presidente da Argentina, Alberto Fernández, afirmou nesta sexta-feira (28) que chegou a um acordo sobre a dívida do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Tínhamos um problema e agora temos a solução com o acordo”, disse em comunicado postado no Twitter.

E acrescentou: “Com esse acordo, podemos construir um futuro. Em comparação com acordos anteriores que a Argentina firmou, esse acordo não contempla restrições que atrasam o desenvolvimento. Não restringe, não limita e não condiciona os direitos recuperados em 2020.”

Além disso, segundo Fernández, o acerto com o FMI não obriga o país a fazer uma reforma trabalhista e nem a chegar a um déficit zero. “Não haverá queda de gastos reais e haverá um aumento de investimentos em obras públicas”, destacou.

O presidente argentino ainda destacou que o acordo será submetido ao Congresso para considerações e aprovação.

O ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán, disse nesta sexta-feira que o acordo, que irá reestruturar o pagamento de dívida de cerca de US$ 44,5 bilhões, envolveria uma redução “gradual” do déficit fiscal do país para 0,9% do PIB até 2024.

O ministro da Economia disse que o acordo de “standby”, ainda a ser confirmado pelo FMI e que precisará da aprovação do Congresso, não vai impactar o crescimento do país e verá uma redução gradual do financiamento do banco central ao Tesouro.

Mercados reagem com otimismo

A bolsa argentina mostrava forte alta em resposta ao anúncio de Fernández.

O índice S&P Merval –referência para o mercado de ações argentino– saltava 3,6%, às 11h28 (de Brasília), puxado por papéis de empresas dos setores de energia e financeiro.

“O anúncio dá um pouco de respiro ao mercado, mas temos que ser cautelosos e ver como o acordo é implementado”, disse um operador da bolsa.

O peso argentino no mercado cambial paralelo valorizava-se 2,53% nos primeiros negócios nesta sexta-feira, cotado a 215/217 por dólar às 11h, depois de bater uma mínima histórica de 223,50 por dólar para venda na quinta-feira.

A taxa de câmbio do mercado informal tinha um diferencial ante as cotações oficiais de 107%.

O risco-país da Argentina caía acentuadamente 70 pontos-base nesta sexta-feira. O índice do banco JPMorgan estava em 1.834 unidades, após marcar esta semana um pico histórico de 1.969 pontos.

*Com informações da Reuters

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