Presidente da Petrobras defende política de preços: “Não podemos nos desviar”

Em evento com acionistas, José Mauro Ferreira Coelho defendeu a paridade com a cotação internacional do petróleo

Stéfano Sallesda CNNJoão Pedro Malardo CNN Brasil Business

no Rio de Janeiro e em São Paulo

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Em sua primeira conferência com investidores depois de ter anunciado o lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022 da Petrobras, o novo presidente da companhia, José Mauro Ferreira Coelho reiterou nesta sexta-feira (6) os compromissos da estatal com o preço de paridade internacional (PPI) dos combustíveis.

“O que nos leva ao resultado de hoje, além da elevação do preço do barril de petróleo, é a gestão responsável. Não podemos nos desviar dos preços de mercado, uma condição necessária para a geração de riqueza, não só para a companhia, mas para toda a sociedade brasileira, para o país”, afirmou.

Ele classificou a política de preços como “fundamental” para atrair investimentos no Brasil e também para garantir o suprimento de derivados do petróleo que o Brasil importa, caso do diesel, gasolina e GLP.

Os comentários de Ferreira Coelho ocorreram um dia depois do presidente Jair Bolsonaro (PL) classificar o lucro da Petrobras como um “estupro”. Ele disse ainda que a estatal “não pode mais aumentar o preço dos combustíveis, isso é um crime”, e criticou os salários de executivos.

“As pessoas da Petrobras ganham R$ 200 mil, esse povo não está preocupado com o preço dos combustíveis“.

A PPI foi implementada em 2016, durante o governo do então presidente Michel Temer (MDB), e baseia os custos dos combustíveis nas despesas de importação, que variam com o câmbio e incluem custos de transporte tarifas portuárias.

O presidente da estatal também afirmou que a Petrobras é “uma das empresas que mais recolhe tributos e participações governamentais, figurando como a maior contribuinte em diversos estados e municípios, retornando para a sociedade tudo aquilo que gera de valor”.

“No 1º trimestre de 2022, foram R$ 70 bilhões [de arrecadação de impostos]. Essa arrecadação promove mais investimentos, mais desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda para todos os brasileiros. Permite investimentos em saúde, segurança, saneamento e outras obras importantes para os brasileiros. Continuaremos trabalhando para produzir resultados ainda melhores e mais robustos”.

Durante a conferência, Ferreira Coelho destacou ainda que sua gestão está comprometida com o Plano Estratégico da Petrobras para 2022 a 2026.

Ele prevê 15 novas plataformas no período, 13 delas concentradas no pré-sal, campo prioritário dos investimentos. Os aportes devem, segundo o dirigente, ampliar em 500 mil barris diários a produção brasileira. A Petrobras pretende também prosseguir com a política de desinvestimento de ativos.

“Seguiremos com o desinvestimento de ativos identificados como non-core (não estratégicos) para a empresa e objetos dos Termos de Compromisso de Cessação (TCCs) assinados com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em refino em infraestruturas de gás natural. Ressalto aqui que não estamos saindo do refino. Estamos simplesmente fazendo um ajuste de portfólio, ficando com aquelas plantas que, segundo nossas estratégias, são mais propícias”, disse.

A previsão da empresa é investir, nos próximos cinco anos, US$ 7 bilhões em refino, com ênfase no aumento da segurança e da eficiência energética.

O plano é substituir até 2026 todo diesel S-500, de uso rodoviário, por S-10, com menor emissão de carbono. O dirigente aponta ainda os rumos da estratégia de investimentos e de desinvestimentos.

“Continuaremos adequando nosso portfólio para investir em ativos em que temos claras vantagens competitivas. Continuaremos a desinvestir em ativos menores aderentes à estratégia ou que gerem menor retorno financeiro. É algo natural em uma empresa do porte da Petrobras. Além de gerar caixa, permite que outras empresas gerem esses recursos, fortalece a economia”, avalia.

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