Pressão dos servidores deve impor desafios fiscais em 2022, diz especialista

Aumento dado a categorias do funcionalismo público, como policiais federais, gerou revolta em outros servidores, que não têm aumento desde janeiro de 2017

Raphael CoracciniElis FrancoPriscila Yasbekda CNN

Em São Paulo

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A iniciativa do governo de dar aumento a setores específicos do funcionalismo público federal e a consequente reivindicação de outras categorias criou um cenário de pressão sobre o orçamento e desafios fiscais que devem se estender ao longo do ano, disse Murilo Viana, economista e especialista em contas públicas.

“A pressão dos servidores irá colocar desafios fiscais ao longo de 2022. Isso já se tornou bastante claro, e tende a se agravar durante o ano”, disse Viana à CNN nesta quinta-feira (6).

Ele destaca a posição delicada do governo, que deve ser o primeiro em 20 anos a não oferecer aumento linear ao funcionalismo, o que cria um desconforto com categorias que exercem forte pressão política, como fiscais da Receita e analistas do Banco Central.

 

Por outro lado, dar um aumento linear significaria deteriorar ainda mais a imagem do governo com o mercado financeiro, que já viu o teto de gastos, que ele chama de “âncora para os investidores”, ser furado em 2021.

Um estudo Instituição Fiscal Independente (IFI), citado por Viana, aponta que, a cada 1% de aumento linear para todo o funcionalismo federal, há um impacto de R$ 3 bilhões nos cofres públicos. Em ano de inflação acima de 10%, apenas a reposição significaria R$ 30 bilhões a mais de gastos.

“O que é um patamar absurdamente elevado para o momento atual, tanto pela falta de limite do teto de gastos como por conta dos desafios sociais que temos, além do desemprego, da carestia e da falta de oportunidade na sociedade”, destacou.

“Esse reajuste, sobretudo para categorias de maior remuneração, não deveria ser prioridade nesse contexto”, concluiu.

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