Prévia da inflação fica em 0,23% em agosto com alta no preço dos combustíveis

No ano, o IPCA-15 acumulou alta de 0,90% e, em 12 meses, atingiu 2,28%

Usuários de transporte público e motoristas de ônibus utilizam máscaras de proteção na rua da Consolação. São Paulo, 29 de abril de 2020.
Usuários de transporte público e motoristas de ônibus utilizam máscaras de proteção na rua da Consolação. São Paulo, 29 de abril de 2020. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Paula Bezerra,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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A prévia da inflação subiu 0,23% em agosto puxada, principalmente, pela alta no preço dos combustíveis. É o que mostra o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), divulgado nesta terça-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o IPCA-15 acumulou alta de 0,90% e, em 12 meses, atingiu 2,28%.

O dado desacelerou em relação ao resultado de julho, quando o indicador registrou alta de 0,3%. A queda é referente ao forte recuo dos preços de educação – compensado, porém, pelo dos combustíveis. Já o IPCA de julho, acelerou 0,36%, o maior valor em quatro anos. 

Apesar da alta em 12 meses, o índice permanece abaixo do piso da meta de inflação para este ano – 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

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Segundo o IBGE, o preço dos combustíveis, mais uma vez, pressionou a previa da inflação, tendo o maior impacto individual positivo no valor da gasolina, que teve alta de 2,63%. Já o óleo diesel teve acréscimo de 3,58% e o gás veicular subiu 0,47%.

Os preços foram de referência foram coletados entre 15 de julho e 13 de agosto de 2020 e comparados com aqueles vigentes de 16 de junho a 14 de julho de 2020 – considerados como base. 

Embora tenha desacelerado em relação a junho, transportes foi o grupo que exerceu o maior impacto sobre o índice de agosto, com 0,15 ponto percentual.

Também tiveram destaques as altas dos preços de Artigos de residência (0,88%), Habitação (0,57%) e Alimentação e bebidas (0,34%). Este último voltou a subir após recuo de 0,13% em julho devido principalmente ao aumento das carnes (3,06%), leite longa vida (4,36%) e frutas (2,47%).

Queda no grupo de educação 

A principal pressão de baixa sobre o IPCA-15 de agosto veio da queda de 3,27% nos preços de Educação, de recuo de 0,07% em julho, como consequência ainda da pandemia de coronavírus.

Segundo o IBGE, com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia, várias instituições de ensino concederam descontos nas mensalidades, o que entrou no cálculo do índice de agosto.

Dentro desse grupo, os preços dos cursos regulares recuaram 4,01%, sendo que a maior queda foi registrada na pré-escola (-7,30%), seguida pelos cursos de pós-graduação (-5,83%), de educação de jovens e adultos (-4,74%) e de ensino superior (-3,91%).

Selic

O nível baixo de inflação mantém o espaço para as medidas de estímulo monetário, depois de o Banco Central ter reduzido a taxa básica de juros Selic à nova mínima de 2% ao ano.

A autoridade monetária manteve a porta aberta para novos ajustes à frente, mas pontuou que, se vierem, eles serão ainda mais graduais e dependerão da situação das contas públicas. Para o próximo ano, porém, o mercado espera uma alta na Selic, indo a 3% ao ano

Os economistas consultados na pesquisa Focus mais recente do BC apontam que a inflação deve terminar este ano a 1,71%, com a economia encolhendo 5,46%. 

(Com Reuters)

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