Produção industrial recua 0,7% em agosto e registra queda pelo 3° mês seguido

Desta forma, nos últimos três meses, o setor acumula perda de 2,3% e fica 2,9% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado, no cenário pré-pandemia

Ligia Tuondo CNN Brasil Business

São Paulo

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Com contração de 0,7%, a produção industrial registrou sua terceira queda mensal seguida em agosto.

Com esse resultado, o setor acumula perda de 2,3% de junho a agosto, mas ainda tem ganho de 9,2% no ano e de 7,2% nos últimos 12 meses.

Vale ressaltar que o setor ainda opera 2,9% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado, antes da pandemia do novo coronavírus. Em relação ao nível recorde registrado em maio de 2011, fica 19,1% abaixo.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (5) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O setor acumulou ganho de 9,2% no ano e de 7,2% nos últimos 12 meses.

Em agosto, a produção no setor caiu mais que o dobro do esperado pelo mercado, destaca o economista-chefe da Necton, André Perfeito, em nota. “Esse resultado faz que o trimestre encerrado em agosto feche com queda de 1,2%”, diz.

Para o economista, os dados sugerem um PIB próximo de zero no 3º trimestre, o que pode levar a mais uma bateria de revisões para a economia do ano.

Perda disseminada e precarização

Ainda refletindo os efeitos da pandemia, a queda de agosto foi disseminada por três das quatro grandes categorias econômicas e pela maioria ramos investigados (15 de 26), diz o IBGE.

Os segmentos que puxaram o resultado para baixo são outros produtos químicos (-6,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,3%).

“Há um desarranjo da cadeia produtiva, que faz com que haja encarecimento dos custos de produção e desabastecimento de matérias-primas para produção do bem final. Isso vem trazendo, pelo lado da oferta, maior dificuldade para o avanço do setor”, diz o gerente da pesquisa, André Macedo, em nota.

Gráfico - IBGE - 2021-10-5
Gráfico – IBGE – 2021-10-5 / IBGE

Ele ressalta que o setor de outros produtos químicos já vinha com queda nos dois meses anteriores, ligada a paralisações em unidades produtivas.

Também tiveram impacto negativo no resultado de agosto equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,0%), produtos de borracha e de material plástico (-1,1%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-1,6%) e celulose, papel e produtos de papel (-0,8%).

O especialista destaca ainda que houve uma precarização das condições do emprego. “Há um contingente importante de trabalhadores fora do mercado de trabalho e os postos que são gerados têm salários menores. Também há retração da massa de rendimento e uma renda disponível menor para as famílias, por conta da inflação mais alta. Esses fatores afetam as condições de compra por parte das famílias”, diz.

Ganhos

Do lado dos ganhos de produção, o IBGE destaca produtos alimentícios (2,1%), bebidas (7,6%) e indústrias extrativas (1,3%). Essas três atividades tiveram um comportamento predominantemente negativo nos meses anteriores.

“O resultado positivo no mês de agosto é mais um grau de recomposição dessas perdas anteriores do que uma trajetória positiva que esses segmentos industriais venham a ter”, afirma André.

O setor de derivados de petróleo teve crescimento nos três meses anteriores, “muito relacionado à flexibilização das restrições sanitárias, que permitiu que as pessoas tivessem maior mobilidade. Então a queda dessa atividade em agosto representa mais uma acomodação, algo pontual, do que uma reversão de tendência do comportamento positivo”, diz.

Metalurgia (1,1%), produtos de madeira (3,0%) e produtos têxteis (2,1%) também cresceram em agosto.

 

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