Proibição da Índia à exportação de trigo afeta 1,8 mi de toneladas e preços sobem

Nova Délhi proibiu exportações do grão no sábado, poucos dias depois de dizer que visava embarques recordes de 10 milhões de toneladas este ano

Um trader de Mumbai disse que a proibição pode forçá-lo a declarar força maior em remessas para clientes no exterior
Um trader de Mumbai disse que a proibição pode forçá-lo a declarar força maior em remessas para clientes no exterior FOTO DE ARQUIVO: Um agricultor está em seu campo de trigo, danificado por chuvas prematuras, na aldeia de Vaidi, no estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, em 25 de março de 2015. REUTERS/Anindito Mukherjee

Por Rajendra Jadhav, da Reuters

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Uma proibição à exportação de trigo da Índia segurou cerca de 1,8 milhão de toneladas de grãos nos portos, potencialmente causando grandes perdas para comerciantes que têm agora perspectiva de vender no mercado interno por valores mais baixos, disseram quatro negociantes à Reuters.

Nova Délhi proibiu exportações de trigo no sábado, poucos dias depois de dizer que visava embarques recordes de 10 milhões de toneladas este ano. O anúncio foi feito após uma onda de calor reduzir a produção, elevando os preços domésticos a recordes.

A notícia elevou os preços dos contratos futuros do trigo negociados nos Estados Unidos para o limite diário de US$ 0,70 centavos por bushel nesta segunda-feira (16), segundo informações do mercado.

Somente exportações lastreadas em cartas de crédito (LCs) emitidas antes de 13 de maio podem prosseguir antes de a proibição entrar em vigor, disse a Índia.

Mas de cerca de 2,2 milhões de toneladas de trigo atualmente em portos ou em trânsito lá, os comerciantes têm LCs para apenas 400.000 toneladas, disse um negociante de Mumbai de uma empresa de comércio global.

“Os exportadores não sabem o que fazer com os 1,8 milhão de toneladas restantes. Ninguém pensou que o governo iria banir as exportações”, disse um comerciante, que não quis ser identificado devido à política da empresa.

Um trader de Mumbai disse que a proibição pode forçá-lo a declarar força maior em remessas para clientes no exterior.

“Compramos trigo de comerciantes e transferimos para os portos”, disse o comerciante. “Nossa intenção é cumprir os compromissos de exportação, mas não podemos anular a política do governo. Portanto, não temos qualquer opção a não ser declarar força maior.”

Os compradores globais estavam apostando em suprimentos do segundo maior produtor de trigo depois de interrupções na oferta da região do Mar Negro, com a guerra na Ucrânia.

Importadores como Bangladesh, Indonésia e Emirados Árabes Unidos podem ter dificuldades para encontrar fornecedores alternativos em meio ao aumento preços globais.

Um volume de cerca de 1,4 milhão de toneladas de trigo está atualmente em portos da costa oeste como Mundra e Kandla ou em trânsito por lá, enquanto cerca de outras 800.000 toneladas estão nos portos de Kakinada, Tuticorin e Visakhapatnam, na costa leste, segundo operadores.

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