Propostas não garantem redução no preço final dos combustíveis, diz especialista

Segundo a especialista, é preciso apontar uma nova fonte de receita ou cortar gastos para promover renúncia de impostos

Duda Cambraiada CNN

Em São Paulo

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Em entrevista à CNN, neste sábado (12), a pesquisadora associada do FGV IBRE Juliana Damasceno comentou sobre as propostas discutidas no Congresso Nacional para diminuir o preço dos combustíveis.

Para a especialista, os projetos que têm sido discutidos até o momento “não são seguros, já que não garantem o efeito final no preço para os consumidores”, disse.

Damasceno lembrou que a política de preços adotada pela Petrobras “depende de dois fatores. O primeiro é o câmbio e o segundo é o preço do barril de petróleo no mercado internacional”.

Segundo a especialista, ambos os fatores são de difícil alcance para serem alterados. “O câmbio ainda responde à nossa política interna, seja fiscal ou mais abrangente. No entanto, o preço do petróleo não é possível de ser controlado”, afirmou.

Damasceno alertou que, por conta das pressões no cenário internacional, a expectativa é de que o preço do petróleo chegue aos US$ 100 para cada barril.

Para ela, outro ponto importante é a forma como as propostas estão sendo pensadas. “Para 2022, o governo já prevê um deficit de quase R$ 80 bilhões. Logo, quando estamos prevendo que não teremos dinheiro no caixa e com despesas acima das receitas, não podemos pensar em uma desoneração, estaremos apenas acentuando o problema”.

A especialista ressaltou que “quando não se aponta uma nova fonte de receita ou não cortamos gastos para promover uma renúncia de impostos, estamos criando dívidas. Essa dívida será emitida com juros cada vez maiores, já que a deterioração do cenário fiscal é precificada por agentes que exigem juros maiores. Existe então uma conta extra para ser paga”, disse.

Por fim, Damasceno afimou que a taxa de câmbio “só aumenta caso o país não demonstre a responsabilidade fiscal. Toda vez que emitimos dívidas mais caras, estamos aumentando o custo da política. Estamos nos endividando para bancar o custo da política”, concluiu.

Juliana Damasceno, pesquisadora associada do FGV IBRE / CNN/Reprodução

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