Real está entre 40 moedas com pior desempenho ante dólar em 2021, diz levantamento

Moeda brasileira ocupa a 38ª posição, considerando a variação da cotação até 9 de dezembro de 2021

Fatores econômicos e políticos contribuem para desempenho negativo
Fatores econômicos e políticos contribuem para desempenho negativo Dado Ruvic/Reuters

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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Depois de ultrapassar os R$ 5 em 2020, o dólar continuou sua trajetória de valorização em relação ao real em 2021. Um levantamento da Austin Rating aponta que, até 9 de dezembro, o real já desvalorizou 6,5% no ano, figurando entre os 40 países com pior desempenho ante a moeda norte-americana.

O Brasil fica na 38ª posição, com desempenho pior do que pares emergentes como a Índia (58ª posição, com queda de 3,2%), México (42ª posição, recuando 5,4%), Rússia (102ª posição, com alta de 1,1%) e China (107ª posição, avançando 2,3%). O ranking leva em conta os dados fornecidos pelos bancos centrais de 119 países.

A alta do dólar se intensificou principalmente com a pandemia, que elevou a incerteza no mercado internacional e fez os investidores retirarem investimentos em países considerados arriscados, caso do Brasil.

Também pesa para o cenário de valorização a baixa taxa básica de juros, a taxa Selic, entre 2019, 2020 e o começo de 2021, o que torna os rendimentos de investimentos em títulos do Tesouro menos atraentes.

Nos últimos meses, um fator de peso para a alta do dólar é a incerteza quanto à política fiscal do governo, com um temor de desrespeito em relação ao teto de gastos. A falta de avanço das reformas Administrativa e Tributária, vistas como necessárias por investidores, também pesam negativamente.

Segundo a Austin Rating, os países com os 10 piores desempenhos ante o dólar são, respectivamente, o Sudão, a Líbia, o Sudão do Sul, a Turquia, o Haiti, Mianmar, Afeganistão, Etiópia, Argentina e Chile.

Já os melhores desempenhos em 2021 são das moedas de Seychelles, Zâmbia, Moçambique, Libéria, Angola, Geórgia, Armênia, Ucrânia, Israel e Papua-Nova Guiné.

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