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    Redução do diesel é vista com ressalvas por caminhoneiros; importadores aprovam

    Redução de R$ 0,20 no litro do combustível chega às refinarias nesta sexta-feira (5); queda no preço é a primeira em 14 meses

    Última queda no preço havia sido registrada em 1º de maio de 2021
    Última queda no preço havia sido registrada em 1º de maio de 2021 Getty Images

    Beatriz PuenteFilipe Brasilda CNN

    no Rio de Janeiro

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    Nesta sexta-feira (5), o diesel começa a ser vendido R$ 0,20 mais barato para as distribuidoras. Segundo a Petrobras, o valor médio passará de R$ 5,61 para R$ 5,41.

    A última queda no preço havia sido registrada em 1º de maio de 2021. Diante da redução, a CNN ouviu entidades do setor sobre o novo preço.

    Para Sergio Araujo, presidente executivo da Associação Brasileiro dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o reajuste anunciado pela Petrobras é coerente com a política de preços da companhia, de paridade com o mercado internacional.

    Na última quinta, a defasagem do óleo diesel no Brasil em relação ao valor de importação encerrou o dia em 10% ou R$ 0,47, de acordo com a Abicom.

    Mesmo com o reajuste abaixo do valor médio da defasagem, Araujo entende que a decisão da companhia é compreensível, já que o mercado tem observado grande variação nesses valores diariamente.

    “O mercado de commodities, principalmente do óleo diesel, está em um momento de grande volatilidade. Então se, por exemplo, a Petrobras resolve reduzir para alcançar a paridade internacional, o preço pode subir de novo em poucos dias, e ela teria que reajustar novamente, o que não teria um bom impacto no mercado. Então, o mais prudente é ir ajustando gradativamente e acompanhando de perto essas variações”, afirma Araujo.

    A Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) avalia que a redução só será positiva se chegar às bombas.

    A entidade destaca que o combustível enfrenta incertezas, diante da escassez mundial e a necessidade de importação de mais de 20% para abastecer o mercado interno.

    “Os caminhoneiros precisam de transparência, segurança e previsibilidade, sem isso ficam impossibilitados de trabalhar”, destaca a nota divulgada pela entidade.

    A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC) ainda não se posicionou sobre a diminuição no preço do diesel.

    Porém, a entidade divulgou um estudo sobre o setor de frete no qual destaca que o combustível foi o custo que teve a maior variação nos últimos 18 meses: 104%. Segundo a associação, o preço do óleo acumula uma alta de 62,8% nos últimos 12 meses.

    Para o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, o impacto do diesel no indicador oficial da inflação deve ser pequeno. Segundo ele, com a queda de 3,5%, o IPCA encolherá 0,01 ponto percentual nos próximos 30 dias.

    Ele explica que os efeitos mais importantes do diesel são indiretos, e, assim, mais difíceis de medir. Porém, se o preço se mantiver baixo, seguindo o petróleo, aumentam as chances de redução dos valores em outros segmentos, como o frete.

    Novo reajuste

    Segundo o último boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na última semana, o preço médio do diesel comum (S-500) no país foi de R$ 7,42.

    Diferente da gasolina, que chegou a R$ 7,39 em junho e hoje está na casa dos R$ 5,74, impulsionada pela redução do ICMS e duas quedas da Petrobras, o valor do diesel sofreu reduções mais discretas.

    Após quatro reajustes da Petrobras neste ano – 8% em janeiro, 24,9% em março, 8,87% em maio e 14,26% em junho -, o óleo chegou a R$ 7,57, também em junho, e registra uma diminuição de R$ 0,15 no período aproximado de um mês e meio.

    Na próxima semana, a ANP deve registrar se a mudança no preço será sentida nos postos de combustíveis.

    De acordo com a empresa, a diminuição anunciada nesta quinta-feira acompanha a evolução dos preços de referência, que se estabilizaram em patamar inferior para o diesel, e é coerente com a prática da companhia, que busca o equilíbrio dos seus valores com o mercado global.

    “A parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 5,05, em média, para R$ 4,87 a cada litro vendido na bomba”, divulgou a companhia.

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