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    Retomada da exportação na Ucrânia pode reduzir preços do trigo no Brasil, diz consultoria

    Com menor demanda de outros países, um volume maior de insumos deve permanecer no mercado interno

    Somente nos dez dias após Rússia e Ucrânia assinarem um acordo de reabertura dos portos, o preço do trigo registrou uma queda de 17,2%
    Somente nos dez dias após Rússia e Ucrânia assinarem um acordo de reabertura dos portos, o preço do trigo registrou uma queda de 17,2% 18/02/2018REUTERS/Ueslei Marcelino

    Lucas Janoneda CNN

    no Rio de Janeiro

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    Uma projeção feita pela Safras & Mercado, maior consultoria do ramo no Brasil, a pedido da CNN, aponta que o trigo pode ficar até 34% mais barato para os consumidores brasileiros até o fim de 2022.

    O barateamento dos insumos dentro do país é consequência da menor necessidade de exportação dos grãos nacionais, como o trigo e o milho, já que o mercado mundial voltou a contar com uma grande vendedora de milho e trigo: a Ucrânia.

    Somente nos dez dias após Rússia e Ucrânia assinarem um acordo de reabertura dos portos, o preço do trigo registrou uma queda de 17,2%. E a projeção feita pela Safras & Mercado é que o valor do produto caia mais 16,9% até dezembro.

    Em valores absolutos, em julho, a tonelada do trigo custava R$ 2 mil. Para dezembro, a tendência é que a mesma tonelada custe aproximadamente R$ 1,6 mil.

    A Ucrânia é o 4º maior exportador de grãos no mundo, atrás de Estados Unidos, Argentina e Brasil. O desbloqueio dos portos ucranianos é considerado essencial para garantir a segurança alimentar global.

    A liberação dos portos acontece mais de cinco meses após o início da guerra. Na manhã da última segunda-feira (1º), o primeiro navio ucraniano de transporte de grãos deixou o porto de Odessa, no sul da Ucrânia.

    De acordo com o governo local, a embarcação estava carregada com 26 mil toneladas de milho ucraniano.

    “A tendência é que o setor seja muito beneficiado, caso o acordo entre Ucrânia e Rússia seja mantido, e os grãos continuem sendo escoados. A guerra trouxe muitas incertezas para o mundo, e fez o preço dessas commodities explodir. Esse é o primeiro passo para começar a percebemos um alívio”, disse o especialista em grãos Elcio Bento.

    No entanto, segundo a consultoria, não é possível dizer ainda que os preços dos produtos serão totalmente restabelecidos, já que existem incerteza para os próximos meses.

    Para Elcio Bento, neste momento, o mercado já está de olho na colheita de 2023, que pode ser ameaçada pela guerra no leste europeu.

    “O início do plantio dessas culturas começa no mundo inteiro ente setembro e outubro, para os grãos serem colhidos no ano seguinte. A Ucrânia, em guerra, vai conseguir plantar? O plantio que está sendo exportado do país agora foi feito antes do início da guerra, em outubro de 2021. Isso traz uma insegurança não mais para esse ano agora, mas sim para 2023”, finaliza Bento.

    Aumento da produção de grãos no Brasil

    A produção de grãos no Brasil deve atingir 272,5 milhões de toneladas na colheita 2021/2022. O volume é 6,7% maior em relação à temporada anterior. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Também é esperado um aumento do 4 milhões de hectares de área, que deve ficar em 73,8 milhões de hectares. O que explica o resultado positivo é a condição climática favorável.

    A colheita do milho está estimada em 115,6 milhões de toneladas, volume 32,8% maior que o último ciclo.

    Assim como o milho, o sorgo, grão utilizado na preparação de ração de animais como o frango, também tende a registrar recorde de produção com colheita estimada em 3 milhões de toneladas.

    Em relação ao feijão, a estimativa é de que a produção chegue a 3,1 milhões de toneladas.

    Já o arroz e a soja terão safra de 124 milhões e 10,8 milhões de toneladas, respectivamente.

    O trigo ganha destaque na cultura de inverno e deve atingir novo recorde, chegando a 9 milhões de toneladas.

    O crescimento do grão chega a 75% em comparação à safra de 2019m quando foi registrada produção de 5,1 milhões de toneladas.

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