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    Russos vendem petróleo para a Europa com pagamento em dinheiro chinês e pela Índia

    Cada vez mais petroleiros desligam sistemas de identificação para transferir petróleo russo sem serem detetados; para que não ficar rasto, europeus pagam em yuan

    Petroleiro russo em águas europeias
    Petroleiro russo em águas europeias CNN Portugal

    Da CNN Portugal

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    Cada vez mais petroleiros desligam sistemas de identificação para transferir petróleo russo sem serem detetados. Para que não fique rastro da transação, países europeus pagam em yuan (moeda chinesa), provavelmente por meio da Índia, o petróleo que a Europa não quer comprar para prejudicar a economia de Moscou.

    A Índia aumentou as suas importações de petróleo russo nos últimos meses, no momento em que a Europa procura reduzir a dependência energética da Rússia. O aumento das importações indianas traz desconfiança de que a Índia está comprando petróleo russo com desconto para enviar para a Europa.

    Em maio, a Índia importou cerca de 800 mil barris de petróleo por dia da Rússia. A agência Fitch prevê que este número possa chegar rapidamente ao milhão de barris diários, 20% do total das importações indianas.

    Fontes citadas pelo jornal inglês The Guardian admitem que é muito difícil monitorar os carregamentos de petróleo russo que chegam à Europa pela  Índia. Isto porque os petroleiros recorrem a várias táticas para se tornarem invisíveis e as transações são feitas de forma que não levantam suspeitas.

    Financeiramente, esta ocultação é feita pagando o petróleo russo em yuan. As trocas de moeda chinesa e rublos russos têm subido de maneira considerável desde fevereiro, quando a Rússia começou a investida na Ucrânia. A China não se posicionou contra a ofensiva e não manifestou oposição a Moscou, aliada de longa data.

    Em alternativa ao uso de yuan, os vendedores estão trocando o petróleo russo por bens como ouro, comida ou mesmo armas.

    Também aumentaram as transferências de cargas entre embarcações, o que gera suspeita de que o petróleo está sendo transferido de petroleiros russos para navios com bandeiras de outros países.

    Cada vez mais petroleiros estão desligando os sistemas de identificação enquanto o petróleo é transferido em operações em alto mar.

    Grécia, Chipre ou Malta também duplicaram a quantidade de petróleo russo que enviam desde que a guerra começou. Produtos petrolíferos da Rússia estão provavelmente acabando nos Estados Unidos.

    Petróleo com desconto

    “As refinarias indianas estão claramente recebendo volumes significativos de petróleo cru russo com desconto e reexportando o produto refinado para fora do país”, disse ao Guardian Craig Howie, analista da Shore Capital, empresa especializada em prestação de serviços financeiros com sede no Reino Unido.

    “O racional comercial aqui é naturalmente compreensível, mas parece ser contrário ao claro objetivo do Ocidente de dificultar a economia russa e a máquina de guerra”, acrescenta o analista.

    Com a guerra na Ucrânia, os petroleiros russos que transportam o óleo bruto e os produtos petrolíferos estão desaparecendo cada vez mais dos sistemas de monitoramento: a atividade clandestina dos petroleiros ligados à Rússia aumentou 600% em comparação com o que acontecia antes do início da guerra.

    A maioria destas transferências acontece em águas onde o risco de derramamento de petróleo é reduzido drasticamente. As trocas costumavam ter lugar na costa da Dinamarca, mas recentemente têm sido observadas no mar Mediterrâneo, a norte de Ceuta, na Espanha, ou no Mar do Norte, perto de Rotterdan, na Holanda. Mais recentemente, foram identificadas quase em águas portuguesas, perto de Açores.

    Na sequência da invasão da Ucrânia, a Comissão Europeia aprovou no fim de maio um embargo ao petróleo russo, que prevê o corte de 90% das importações de petróleo da Rússia até fim do ano.

    O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, disse que a medida é “motivada politicamente, não economicamente” e que afetará os consumidores europeus em primeiro lugar.

    O porta-voz do Kremlin sublinhou mesmo que, se a procura diminui em alguns locais, aumentará em outros, pelo que a Rússia nunca venderá petróleo “com prejuízo”.

    (Publicado por Carolina Farias)

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