Setor de entretenimento ensaia reação, mas perdas ainda chegam a 64% de faturamento

Número é quatro pontos porcentuais menor do que o relatado em maio, no levantamento feito pelo Sebrae em parceria com a FGV

Foto: Karen Zhao/Unsplash

Isabelle Resendeda CNN

Rio de Janeiro

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Apesar do arrefecimento da pandemia da Covid-19, as micro e pequenas empresas da chamada Economia Criativa ainda vêm enfrentando dificuldade para retomar suas atividades.

Esse nicho, que representa 17,4 milhões de pequenos negócios, é o que apresenta a maior média de queda de faturamento, de acordo com a 12ª Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios, produzida pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O segmento registrou perdas de 64% no faturamento, segundo relator de empresários consultados de 28 de agosto a 1 de setembro. O número mostra uma recuperação de quatro pontos percentuais se comparada com a pesquisa anterior, realizada em maio, quando o setor relatava perdas de 68% do faturamento.

De acordo com dados do Sebrae, o Brasil possui 17,4 milhões de pequenos negócios nesse setor, que engloba desde empreenderes das artes visuais e cênicas, música e mercado editorial, até games, publicidade, gastronomia e arquitetura, entre outros.

O motivo para a retomada lenta, segundo os especialistas, está na dificuldade encontrada pelo setor em realizar eventos que promovam aglomeração. Cerca de 66% das empresas estão em processo de reabertura ou totalmente aberto. E somente 31% não apresenta restrição. Por isso, o avanço da vacinação contra a covid é essencial para alavancar o faturamento.

“Esses são os empreendedores que encontram mais dificuldade para a retomada, pois ainda vivemos um momento delicado para realizar eventos que promovam aglomerações e a grande maioria das empresas que atuam com a Economia Criativa depende essencialmente da vacinação ampla para voltar a exercer as suas atividades”, comenta o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

O resultado da Economia Criativa está bem abaixo da perda média de faturamento de todas as atividades levantadas, que ficou em 34%, apresentando um incremento de nove pontos percentuais em relação a maio, quando foi detectada perda de faturamento de 43%.

Melles destaca que inclusive o Turismo, que era uma atividade que sempre apresentava uma queda média de faturamento semelhante ao da Economia Criativa, já demonstra sinais de recuperação e mostrou resultados surpreendentes se descolando da primeira colocada do ranking.

“Assim como a Economia Criativa, na pesquisa que realizamos em maio, o Turismo apresentava uma queda média de faturamento de 68%. Já nessa 12ª edição, ele apresentou uma queda de 48%, uma diferença de 20 pontos percentuais”, revela o presidente do Sebrae.

A 12ª Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios ainda revela que apenas a Indústria de Base Tecnológica e os pet shops e veterinárias representaram uma piora no quadro do faturamento de 29% para 36% e de 30% para 32%, respectivamente. As atividades menos afetadas são o Agronegócio (8%), Energia (9%), Saúde (15%), Serviços Empresariais (23%) e Serviços Pessoais (26%).

Os pesquisadores ouviram 6.104 empreendedores de todos 26 estados e do Distrito Federal, composta por 59% MEI, 36% ME, 5% EPP (*Porte declarado na pesquisa). O erro amostral é de +/- 1% para os resultados nacionais.

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