Setor industrial critica aumento da taxa Selic para 10,75% ao ano

CNI aponta que alta já provoca efeitos negativos para empresas e consumidores

Trabalhador em indústria siderúrgica em Ipatinga, Minas Gerais
Trabalhador em indústria siderúrgica em Ipatinga, Minas Gerais 17/04/2018REUTERS/Alexandre Mota

Rayane RochaThayana Araújoda CNN

no Rio de Janeiro

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Entidades industriais criticaram o aumento da Selic, a taxa básica de juros, de 9,25% para 10,75% ao ano, divulgado na última quarta-feira (2) pelo Banco Central. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), principal representante dos empresários do setor no país, considerou a elevação excessiva e equivocada.

Em comunicado oficial da entidade, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi considerada um risco à recuperação econômica.

A alta de 1,5 ponto percentual levou a Selic a alcançar os dois dígitos pela primeira vez depois de cinco anos. Isto havia ocorrido pela última vez em julho de 2017, quando alcançara 10,25% ao ano.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, afirma que o resultado aumenta as possibilidades de uma recessão em 2022 e de efeitos negativos na produção industrial.

Para ele, o consumo e os empregos do setor também podem ficar comprometidos por conta do crescimento. “Isso inibe a atividade econômica e deve continuar a desacelerar a inflação nos próximos meses”, explica.

O gerente executivo de economia da CNI, Mario Sérgio Telles, também destaca preocupação com os reflexos imediatos sentidos pelo ramo. “O primeiro efeito na indústria é o aumento do custo de financiamento das empresas”, justifica.

Desde que o Banco Central começou a subir a taxa Selic, a média de juros para as empresas já subiu mais de cinco pontos percentuais. “Quando se tem um aumento na taxa de juros, as empresas gastam mais para financiar e reduzem suas margens de lucro”, acrescenta.

O economista também chama a atenção para as consequências indiretas desse aumento.

“Com os juros mais altos, o consumidor final tende a reduzir o consumo, principalmente de bens duráveis. Com isso, as empresas tendem a rever planos de investimento. Assim, tanto a demanda por bens de capital como a de investimentos são prejudicadas”, ressalta.

Mario Sérgio Telles explica que o aumento da taxa de juros reduz não só o consumo e as vendas; pode afetar os empregos industriais. “Quando se tem um crescimento menor do consumo e da produção, é normal que se tenha um reflexo sobre os empregos, já que as empresas vão demandar menos trabalhadores”, conclui.

A CNI pediu ainda que o Banco Central desenvolva uma política monetária mais cautelosa, a fim de evitar a estagnação da indústria nacional.

Outras entidades do setor também se pronunciaram. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que a decisão do Copom não é a melhor maneira de combater a inflação.

Já Firjan, entidade homóloga do Rio de Janeiro, alega que o aumento dos juros agrava a baixa na confiança de empresários e investidores na recuperação econômica.

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