Solução a curto prazo é reduzir impacto da alta de combustíveis para população, diz especialista

À CNN, Eberaldo Almeida, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, avaliou crise do diesel e impacto para a sociedade

Felipe RomeroThiago Félixda CNN

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O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, Eberaldo Almeida, não vê soluções imediatas para reduzir o preço dos combustíveis no Brasil.

“O que podemos fazer numa questão mais estrutural é olhar na ponta, o poder público pensar em soluções para os mais necessitados, como já teve o vale gás, pensar no motorista de aplicativo, no transporte público urbano, medidas para não afetar o mais necessitado”, afirma.

Para Almeida, o câmbio desvalorizado faz com que o Brasil sofra mais com os efeitos da crise global de combustível.

“Em 2014 o valor do barril de petróleo estava no mesmo valor de hoje, mas de lá para cá o real desvalorizou 120%, quer dizer, o brasileiro ficou 120% mais pobre”, afirma.

Ele argumenta que o Brasil também sofre mais impacto por ter uma logística muito focada no transporte rodoviário.

“O Brasil é muito focado no diesel, transporte rodoviário, a gente tem essa distorção, diferente de países com mais transporte ferroviário ou portos fluviais. Acabamos precisando importar mais diesel.”

O especialista explica que a Petrobras não tem poder ou condições para definir o preço do combustível. “O que ela faz é acompanhar o mercado, que é definido pela oferta e demanda, que neste momento está desalinhado com a guerra na Ucrânia e a recuperação econômica após os lockdowns em todo o mundo”, argumenta.

Almeida exemplificou o que aconteceria se a Petrobras deliberadamente reduzisse os preços praticados.

“A Petrobras responde por 50% do mercado brasileiro, se ela resolve vender pela metade do preço de mercado geraria desabastecimento, com um possível leilão por combustíveis”, explica.

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás destaca que nunca a diferença de valor entre petróleo e diesel esteve tão grande, próxima a cem dólares.

“Não consumimos petróleos, consumimos derivados e os derivados tem que passar por um processo em refinarias, e nos últimos anos tivemos uma queda na capacidade de refino no mundo, estamos num cenário de transição energética, menos investimento em refinarias, e isso impacta a oferta e os preços”, explica.

Entrave estados e União

Perguntado sobre a disputa entre estados e União sobre a tributação única sobre os combustíveis, Almeida explica que a lei da “monofasia” não está sendo cumprida à risca.

“O que aconteceu na regulamentação feita pelos estados é que eles estabeleceram um valor teto, que foi o do Amapá, de maior tributo, e concederam descontos. Quando concede desconto nas operações interestaduais há diferença entre um estado e outro e acaba recolhendo imposto em dois pontos e não cumprindo o que está na lei”, conclui Almeida.

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