Tarifa da bandeira vermelha 2 terá reajuste de 52%, para R$ 9,49 por 100 kWh

A explicação para a alta é o aumento do custo de geração de energia no país, por causa da crise hídrica

Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta terça-feira (29) que o valor da tarifa da bandeira vermelha 2 será reajustado em 52%, para R$ 9,49 pelo consumo de 100 kWh. O preço até então era de R$ 6,243.

A tarifa da bandeira vermelha 2, que está em vigor no país, é a mais cara. A explicação para a alta é o aumento do custo de geração de energia no país, por causa da crise hídrica. De acordo com o governo, o Brasil enfrenta a pior estiagem dos últimos 91 anos, o que levou ao maior acionamento de termelétricas (que geram mais custos do que as hidrelétricas).

O novo valor da bandeira vermelha 2 entra em vigor em julho e permanecerá ao menos até novembro. “Isso dá sinal de preço condizente com a escassez [hídrica] em que se vive”, disse André Pepitone, presidente da Aneel, durante a reunião do colegiado. “Podemos usar analogia com o que pode acontecer com qualquer produto que depende do clima. Quando acontece um problema no clima, o valor de um alimento aumenta no Ceasa [o mesmo acontece com energia].”

 

Os diretores da Aneel também aprovaram uma nova consulta pública para definir se haverá um reajuste adicional, dado o cenário excepcional da crise hídrica. Isso porque poderá haver um déficit ainda maior na conta bandeira nesse momento mais seco. 

Até o momento, o déficit está em R$ 1,5 bilhão. “No pior dos cenários, pode haver uma elevação para R$ 5 bilhões”, disse Pepitone.

O governo editou uma Medida Provisória (MP) na segunda-feira (28) criando a câmara de regras excepcionais para gestão hidroenergética. Na prática, o Ministério de Minas e Energia ganha poder e autonomia para decidir o que for preciso para controlar os impactos da falta de água no país e evitar interrupções no fornecimento de energia. 

Luz elétrica
Foto: Kari Shea / Unsplash

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