Taxa anual de inflação da zona do euro acelera a recorde de 5,9% em fevereiro

CPI recorde amplia pressões para que o Banco Central Europeu (BCE) aperte sua política monetária

Sede do BCE em Frankfurt
Sede do BCE em Frankfurt 15/01/2009. REUTERS/Kai Pfaffenbach

do Estadão Conteúdo

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A taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, pela sigla em inglês) da zona do euro atingiu a máxima histórica de 5,9% em fevereiro, superando o recorde anterior de 5,1% verificado em janeiro, segundo dados finais divulgados nesta quinta-feira (17) pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.

O resultado de fevereiro ficou acima da leitura preliminar e da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 5,8% em ambos os casos.

O CPI recorde amplia pressões para que o Banco Central Europeu (BCE) aperte sua política monetária. A meta de inflação do BCE é de 2%. Em relação a janeiro, o CPI da zona do euro avançou 0,9% em fevereiro, como se previa.

Apenas o núcleo do CPI do bloco, que desconsidera os preços de energia e de alimentos, teve ganho anual de 2,7% em fevereiro, confirmando a estimativa prévia. Já no confronto com janeiro, o núcleo do índice avançou 0,5% no último mês.

“BCE tomará medidas necessárias se efeitos da guerra crescerem”

A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou, nesta quinta-feira, que a instituição mantém aberta a opção de tomar quaisquer medidas necessárias caso as consequências econômicas do conflito entre Rússia e Ucrânia se intensifiquem.

Em discurso durante conferência em Frankfurt, na Alemanha, Lagarde explicou que a guerra representa um “risco significativo” ao crescimento da economia da zona do euro.

Segundo ela, os europeus devem enfrentar inflação elevada e expansão econômica lenta, pelo menos no curto prazo. “Os principais riscos são através dos preços da energia e da confiança”, disse.

Ainda assim, a banqueira central destacou que houve uma melhora no cenário de inflacionário de médio prazo. Na visão dela, é “cada vez mais provável” que a inflação se estabilize na meta de 2%.

“Essa foi a perspectiva que nos levou, em dezembro do ano passado, a começar a reduzir gradativamente o ritmo de nossas compras de ativos”, pontuou.

“Se necessário, podemos projetar e implementar novos instrumentos para garantir a transmissão da política monetária à medida que avançamos no caminho da normalização da política, como mostramos em muitas ocasiões no passado”, acrescentou.

Lagarde comentou ainda que a política fiscal pode amortecer os efeitos das tensões no Leste Europeu. Para ela, o quadro revelou a dependência econômica da Europa a “atores hostis”. “Deixamos claro que os reajustes futuros das taxas, quando vierem, serão graduais”, ressaltou.

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