Temos que proteger nossos principais mercados, como a China, diz Tereza Cristina

Em entrevista à CNN, a ministra também falou sobre o desejo do agronegócio de expandir negócios para países como a Índia

Da CNN

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A China é o maior parceiro comercial do Brasil e atritos precisam ser evitados. Assim como eventuais contratempos com outros países, a exemplo do que aconteceu com os árabes quando o governo Jair Bolsonaro quis abrir uma embaixada em Jerusalém, precisam ser administrados. Essa é a opinião da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, para o programa O Brasil Pós-Pandemia: A Retomada, comandado pelos âncoras William Waack e Rafael Colombo. 

A ministra já precisou contornar algumas vezes problemas causados por figuras importantes da política, como o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente. Ela própria admite que o papel da ministra é administrar esses contratempos  

Mesmo assim, a ministra diz que é necessário defender a agricultura dentro do governo Jair Bolsonaro. “Tenho respaldo do presidente e uma interlocução muito franca com os outros ministros. A Ásia é nosso maior cliente, sendo a China o mais importante”, diz ela. “Existem contratempos, mas temos como nossa meta proteger o agronegócio dentro do governo.”

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Cristina é vista como uma “bombeira” dentro do governo por investidores e empresários – e fundamental para que o Brasil não perca espaço no mercado internacional. 

“Cada um [ministro] defende o seu espaço e o seu segmento, mas estamos indo bem e os números das exportações mostram isso”, afirma. “A China é o grande puxador dessas compras pelo tamanho que tem de população, que precisa ser alimentada. Ser ministra é administrar contratempos.” 

Na opinião dela, como o Brasil está na posição de vendedor, precisa entender as demandas e saber como atender melhor os seus clientes. “É preciso olhar no olho da pessoas, conversar e criar um canal [de diálogo] aberto. E credibilidade é algo muito importante”, disse.

Sobre os Estados Unidos, a ministra fala que o agronegócio brasileiro compete de igual para igual com os americanos em diversas áreas. “Eles são muito pragmáticos: primeiro os Estados Unidos, depois o resto do mundo. Somos amigos deles, temos muitos interesses conjuntos, mas no agronegócio competimos de igual para igual”, afirma.

Novos mercados

Uma das principais metas da ministra é abrir mercados. Segundo ela, foram criados 70 novos canais de vendas com diferentes países para produtos brasileiros. 

O país também não pode ficar dependente apenas da China, que é o maior comprador do país, e deve partir para conquistar outros mercados. Não à toa, o comércio tem aumentado com nações como Indonésia, Vietnã e Laos. Mas ela quer ter uma melhor atuação é com a Índia.

“A Índia é uma parceira que temos que começar a tratar bem e entender melhor”, diz ela.

Atualmente, a Índia é o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, onde estão os maiores compradores do país. Em 2019, o fluxo bilateral entre os países chegou a US$ 7 bilhões, mas um acordo firmado antes da crise causada pelo coronavírus oficializou o compromisso de dobrar esse volume para US$ 15 bilhões em três anos.

A ministra lamentou não poder visitar a Índia e outros países que estão no radar do Brasil para uma aproximação comercial. A pandemia atrapalhou os planos.

“A esperança era fazer um trabalho mais efetivo neste ano, vejo muita oportunidade”, disse a ministra.

A principal aposta nas exportações para a Índia é o gergelim. Em janeiro, Tereza Cristina anunciou um intercâmbio entre os países para exportar a semente e comprar dos indianos sementes de milho.

(Edição: André Jankavski)

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