Transição energética depende de corte de demanda, não de oferta, diz especialista

 À CNN Rádio, Adriano Pires afirmou que, hoje, energia limpa não é capaz de suprir demanda mundial

REUTERS/Ueslei Marcelino

Amanda Garciada CNN

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Diante da crise energética mundial, o maior desafio é o equilíbrio entre as pressões para se cuidar do clima e a necessidade de crescimento e retomada econômica, que traz aumento da demanda por energia. Esta é a avaliação de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Em entrevista à CNN Rádio nesta quinta-feira (21), ele explicou que “as energias limpas não estão conseguindo repor [a demanda] para retomar o crescimento.” Ele admite que há pressão de ambientalistas para que se deixe de usar os combustíveis fósseis, mas Pires fez um alerta:

“O corte de oferta em função disso está levando a um aumento de preço, a demanda de energia continua crescendo e as fontes limpas, neste momento, não estão conseguindo substituir os fósseis.”

“O resultado é o preço de energia explodindo, que traz inflação, aumenta juros e pode ter recessão generalizada”, completou. Adriano Pires analisa que “transições energéticas fazemos em décadas, não em anos”.

“Se quer cortar o consumo do carvão e petróleo, tem que reduzir demanda, não oferta, porque ela diminui qualidade de vida”.

Ele reforça a importância da energia nos tempos de hoje: “Se queremos qualidade de vida, dignidade, temos que ter acesso a saneamento básico e energia, o mundo está mais eletrificado, único objeto que não conseguimos viver sem é a tomada.”

Adriano Pires lembra que “todo mundo achava simples tirar da matriz energética os fósseis e colocar as limpas”, mas que elas têm particularidades: “As energias solar e eólica só são geradas quando a natureza permite, hidrelétricas só quando chove, são desafios que temos que enfrentar.”

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