Um Plano Marshall com cara de PAC que se chama Pró-Brasil

O “Plano Marshall” ganhou nome de Pró-Brasil, mas tem uma fórmula conhecida por aqui: investimento público na veia – bem ao estilo de governos anteriores

O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto e o presidente Jair Bolsonaro (18.fev.2020)
O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto e o presidente Jair Bolsonaro (18.fev.2020) Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Thais Herédiada CNN

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Está em construção o plano de recuperação da economia brasileira, capitaneado pelo Ministro Chefe da Casa Civil, General Eduardo Braga Netto. O “Plano Marshall” tupiniquim ganhou nome de Pró-Brasil, mas tem uma fórmula conhecida por aqui: investimento público na veia. Em outras crises, nem de longe parecidas com a atual, os grandes planos de reconstrução do país lançaram mão do mesmo mote. 

O mais famoso deles foi o PAC – Plano de Aceleração do Crescimento, que surgiu em 2007, nas mãos de Lula da Silva. Depois em 2010, numa segunda fase para eleger Dilma Rousseff (a mãe do PAC) e numa cartada final de tentativa de sobrevivência, o PAC 3 foi apresentado a dois meses das eleições de 2014. Do R$ 1,5 trilhão dos investimentos previstos, morremos na praia com cerca de 5 mil obras paradas e uma dívida pública de quase 80% do PIB. 

Falar do PAC num governo anti-PT é comprar briga feia, mas não é a colunista que ousa tanto. Lá nos prédios do Ministério da Economia, a comparação já corre solta. Em meio à pandemia do novo coronavírus, quase 3 mil mortos, sistemas de saúde entrando em colapso, milhões de brasileiros perdendo fonte de renda, empregos e a esperança, a equipe do super-ministro Paulo Guedes se diz “focada em conseguir implementar tudo que anunciamos até agora”. 

O presidente Jair Bolsonaro deve ter percebido o afogamento da equipe econômica e designou outro ministro, o da Casa Civil, para liderar o plano “Pro Brasil”. Braga Netto oficializou o grupo encarregado de definir as ações, contando com vários ministérios, especialmente o da Infraestrutura, de Tarcísio Gomes de Freitas, e do Desenvolvimento Regional, de Rogério Marinho. Paulo Guedes chegou por último, mas foi convidado para o debate. 

“É de fato um papel da Casa Civil. O Ministério da Economia tem que entrar lá como tesoureiro da empresa, mas o CEO é a Casa Civil. Nós temos que participar em linha com o direcionamento da governança fiscal, qual seja, o teto de gastos. Se a Casa Civil quiser tirar dinheiro de outras pastas para direcionar a obras, a Economia executa. Até porque, aqui não criamos políticas públicas, são os outros ministérios que as fazem. Nós entramos para pagar a fatura, desde que haja dinheiro e o teto de gastos seja respeitado”, alerta um integrante da pasta de Paulo Guedes. 

Bolsonaro tem pressa e parece não querer saber dessas picuinhas de gestão. Ele está perdendo espaço político na briga que resolveu comprar com a Saúde, a democracia e o Rodrigo Maia. O General Braga Netto, com disciplina militar, aceitou a missão e já se adianta. A analista Renata Agostini nos informa que na planilha de Tarcisio Gomes de Freitas há entre 70 e 150 obras, com orçamento de R$ 30 bilhões para os próximos 3 anos. Dos R$ 30 bilhões, R$ 12 bi são gasto extra, fora do orçamento da pasta. A agonia da equipe de Paulo Guedes é: de onde virá o dinheiro? 

O PAC não funcionava nem quando tinha dinheiro. Imagine agora com essa expansão fiscal gigantesca em voga. E não há outra alternativa, isto não tem a ver com pensamento liberal do Guedes, não o coloca em cheque, segundo defendem seus auxiliares. Outra coisa que está descendo quadrado nos gabinetes que acolhem toda equipe do super ministro, é essa possível recriação do ministério do Trabalho, ainda por cima para o velho PTB – a mais famosa raposa do antigo galinheiro. Mas isto é assunto para outra coluna.

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