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    Veja as ações que mais decepcionaram em 2021, segundo levantamento

    Alta da inflação e aumento da Selic prejudicaram varejistas

    Mercado não esperava que a inflação fosse decolar e que o Copom subisse tanto a taxa Selic
    Mercado não esperava que a inflação fosse decolar e que o Copom subisse tanto a taxa Selic Amanda Perobelli/Reuters/Arte/CNN

    Artur Nicocelido CNN Brasil Business

    São Paulo

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    Os investidores começaram 2021 com receio sobre quais seriam os impactos deixados pela pandemia do coronavírus.

    O que o mercado não esperava é que a inflação fosse decolar, levando o Banco Central a acelerar a alta da taxa Selic para tentar conter os preços.

    O indicador oficial de inflação do Brasil já acumula alta de dois dígitos nos últimos 12 meses, enquanto a taxa básica de juros, que começou o ano em 2%, subiu para 9,25% na última reunião do Copom.

    Segundo especialistas ouvidos pelo CNN Brasil Business, inflação e Selic foram responsáveis por colocar Magazine Luiza, Via, Pão de Açúcar e Americanas como os piores papéis de 2021.

    E as perspectivas são de que os juros vão continuar altos. Na última ata do Banco Central, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude, ou seja, a taxa de juros a 10,75% para o começo do ano que vem.

    “Ou seja, o setor de varejo e incorporação imobiliária devem sofrer ainda em 2022”, diz Eduardo Cavalheiro, economista e gestor da Rio Verde Investimentos. “Mas vale dizer que a maior parte do impacto em termos de preços das ações desses setores deve ter ocorrido neste ano, pelo efeito de antecipação das expectativas”.

    Veja o levantamento realizado por Einar Rivero, da Economatica, sobre as ações que tiveram o pior desempenho em 2021.

    Magazine Luiza e Via

    As ações de Magazine Luiza e Via, assim como de outras varejistas, vêm acompanhando o cenário macroeconômico nacional: elevado nível de inflação, juros em alta e desemprego. Todos estes fatores impactam o poder de compra dos consumidores, o que reflete sobre as empresas deste setor.

    Alexsandro Nishimura, economista, head de conteúdo e sócio da BRA, escritório credenciado da XP Investimentos, afirma que “a concorrência também se acirrou no setor, o que ajudou a impactar os papéis ligados ao e-commerce”. Por exemplo, o Mercado Livre inaugurou um centro logístico exclusivo para itens de grande porte.

    Os balanços do terceiro trimestre também evidenciaram os desafios a serem enfrentados pelo setor, “já refletindo a deterioração macroeconômica”, destacou o especialista.

    O Magazine Luiza registrou lucro ajustado de R$ 22,6 milhões, quase 90% de queda ante os R$ 215,9 milhões reportados um ano antes. Enquanto a Via, dona da Casas Bahia, teve prejuízo líquido contábil de R$ 638 milhões no terceiro trimestre.

    Pão de Açúcar

    “A queda das ações do Pão de Açúcar se explica pela cisão que trouxe o Assaí para a bolsa, ocorrida no final de fevereiro”, afirma Nishimura.

    A operação separou os negócios de multivarejo (Pão de Açúcar) do atacarejo (Assaí), que anteriormente estavam todos combinados sob a mesma empresa.

    Porém, o preço em bolsa de uma ação não reflete somente o valor contábil. “Na precificação do mercado, os ativos do Assaí embutiram uma expectativa dos investidores para cada empresa e setor, o que não era positivo”, destaca o sócio da BRA.

    Americanas

    Desde o início do ano, as ações da Americanas vem tendo uma performance negativa.

    “Atribuímos o resultado principalmente a um movimento macro, uma vez que empresas de alto crescimento acabam sofrendo mais em momentos de volatilidade e incertezas macroeconômicas devido ao aumento da taxa de juros, combinado com um aumento da competição no setor tanto entre as empresas locais como também globais (como Shopee, Alibaba e Amazon)”, destacou os analistas de varejo da XP.

    Eztec

    As ações de construtoras e incorporadoras são mais sensíveis à taxa de juros, pois seu efeito vai além da relação inversa clássica do “juros em alta, bolsa em queda”, diz Nishimura.

    “O efeito dos juros se amplifica, pois atua diretamente sobre os negócios das empresas, com a alta dos juros tornando o crédito mais caro, o que dificulta o financiamento dos imóveis”.

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