Vendas no Natal devem recuar pelo segundo ano consecutivo, diz CNC

Perspectivas para contratações no período também registram queda

Lucas Janone, da CNN
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Apesar da normalização do fluxo de consumidores, o volume de vendas no Natal deve sofrer o segundo recuo consecutivo, segundo o levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado nesta segunda-feira (13).

A expectativa é de que a principal data comemorativa do varejo brasileiro, que representa 22% do total de vendas do mês de dezembro, movimente aproximadamente R$ 57 bilhões — valor 2,6% menor em relação a 2020, levando em consideração as variações inflacionárias no país, que fez o indicador saltar para 10,25% no acumulado dos últimos 12 meses.

Um monitoramento realizado pelo Google, ao fim da primeira semana de dezembro, mostra que pela primeira vez o fluxo de consumidores em estabelecimentos comerciais retornou ao patamar pré-pandemia. A normalização do fluxo está relacionada ao avanço da imunização contra a Covid-19 e ao melhor cenário epidemiológico do país.

Por outro lado, o estudo aponta a situação econômica da população como empecilho para um cenário otimista para o varejo. Os juros em alta, a inflação elevada e o mercado de trabalho em lenta recuperação, mesmo com o aumento de pessoas nas ruas, dificultam o consumo pela população no período do Natal.

“Em número de unidades de produtos vendidos e de serviços oferecidos, é possível que as empresas tenham um volume até maior do que o do ano passado. Mas quando a gente analisa o faturamento geral, pressionado pela inflação do ano, você tem uma situação de recuo nas vendas. Além disso, temos que considerar que os brasileiros enfrentam uma pandemia há dois anos e, por isso, vão estar mais seletivos na compra dos presentes. Todos estão de olho no custo-benefício e no preço de cada mercadoria”, explica o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira.

Diante do contexto, o levantamento da CNC projeta que o ramo de hiper e supermercados será o destaque em movimentação financeira no período, representando 38,5% (R$ 22,11 bilhões) do volume total de vendas.

Em seguida, devem aparecer estabelecimentos especializados na comercialização de roupas, calçados e acessórios (35,3% do total ou R$ 20,28 bilhões).

“Historicamente, [o comércio de alimentos] é o principal responsável pela geração de receitas do segmento. O ramo do vestuário aparece em seguida por ser o mais impactado pela data, apresentando, em média, crescimento de 89% nas vendas, na passagem de novembro para dezembro”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

CNC revisa para baixo contratações para o período

As incertezas sobre o volume de vendas para o Natal também causaram impacto direto na expectativa de vagas temporárias para a data comemorativa.

A CNC reduziu a projeção de contratações temporárias para o período de 94,2 mil para 89,4 mil. Apesar da redução de contingente, o número ainda é 31% maior do que as contratações para o atípico fim de ano de 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.

A previsão é que a maior oferta de vagas (63% do total ou 56,27 mil) ocorra nas lojas de vestuário, calçados e acessórios. Em seguida, tendem a se destacar os segmentos de hiper e supermercados (16,63 ou 19% do total) e lojas de artigos de uso pessoal e doméstico (11,08 mil ou 12% do total).

Regionalmente, São Paulo (25,61 mil), Minas Gerais (9,63 mil), Paraná (7,09 mil) e Rio de Janeiro (6,63 mil) oferecerão a maior parte das vagas.

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