Vice do BCE projeta recuperação europeia no 2º semestre em níveis pré-pandemia

A vacinação será chave para a perspectiva econômica. Acho que teremos surpresa positiva na segunda metade do ano, afirmou vice do BCE

Logo do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha
Logo do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha Foto: REUTERS/Ralph Orlowski

Por Gabriel Caldeira, da Estadão Conteúdo

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Apesar de esperar que a atividade econômica da zona do euro no primeiro semestre de 2021 seja um “pouco mais fraca” que o previsto, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, disse que a vacinação em massa contra a covid-19 no continente poderá fazer com que a recuperação da economia europeia retome os níveis anteriores à pandemia.

“A vacinação será chave para a perspectiva econômica. Acho que teremos surpresa positiva na segunda metade do ano”, afirmou, em evento da Escola de Negócios IESE nesta quinta-feira (25).

Entre os potenciais riscos à retomada neste ano, além de possíveis atrasos na imunização, Guindos citou a baixa lucratividade dos bancos europeus.

Este fator pode causar uma onda de insolvência e inadimplência de empresas no continente, segundo o dirigente do BCE, em especial se os governos da zona do euro retirarem muito cedo as medidas de apoio fiscal adotadas para estimular as economias durante a crise.

“A primeira linha de defesa contra a crise é a política fiscal”, disse Guindos, acrescentando que os banco centrais acompanharam a resposta de governos por meio de acomodação monetária.

Diante das preocupações com uma alta inflacionária causada pelos estímulos fiscais, Guindos afirmou que o nível de preços na zona do euro esteve muito baixo no ano passado, com um “importante” avanço nos primeiros meses de 2021, e opinou que a inflação não deve ser um problema para a região a curto prazo, em um ou dois anos.

Há, porém, a possibilidade de essa tendência se inverter depois da pandemia, segundo Guindos. Ele aponta para a esperada regionalização das cadeias de produção global como um dos fatores que podem pressionar o nível de preços a um viés de alta no futuro, encerrando um longo período de inflação fraca, abaixo da meta de 2% do BCE.

Unificação de mercados e Brexit

O vice-presidente do Banco Central Europeu defendeu ainda o plano de unificação dos mercados da Europa, de forma a criar um “centro financeiro próprio” no continente, após a saída do Reino Unido da União Europeia.

O Brexit, como é conhecido o movimento feito pelos britânicos, não preocupa o bloco, de acordo com Guindos, que prevê um papel mais proeminente dos mercados de Nova York para os serviços financeiros da Europa.

O dirigente comentou também sobre a possibilidade de ativos estarem sobrevalorizados nos mercados de ações ao redor do mundo. Para Guindos, o cenário europeu está sob controle, e um possível problema de sobrevalorização está “bem mais claro” ao olhar para as bolsas nova-iorquinas.

Segundo ele, taxas de alavancagem – mecanismos que aumentam a rentabilidade de um ativo por meio de operações de crédito – bem mais folgadas nos Estados Unidos explicam o fato de os mercados americanos estarem mais sujeitos ao fenômeno de sobrevalorização de ações.

Guindos opinou ainda sobre as recentes altas de criptomoedas, em especial o bitcoin. Para ele, este tipo de ativo possui fundamentos muito fracos.

“É volátil e desconectado de fundamentos reais que precificam uma ação. Me surpreende que um investimento tão frágil chame tanta atenção”, disse o dirigente do BCE.

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