Vladimir Putin diz que Rússia aumentará fornecimento de gás se Europa pedir

O presidente russo disse que estaria pronto para ajudar a resolver a crise energética da Europa

Denise Odorissida CNN

Em Londres

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Com o preço do gás natural em alta na Europa, países como a Alemanha e a Inglaterra dependem cada vez mais da Rússia para o fornecimento do combustível. O presidente do país, Vladimir Putin, afirmou que aumentará o fornecimento de gás se os europeus pedirem.

O presidente russo disse que estaria pronto para ajudar a resolver a crise energética da Europa, com a alta do gás. Ele afirmou, também, que a Gazprom, estatal russa, já aumentou o fornecimento à Europa em 10% e que, com isso, espera amenizar a crise no continente.

Atualmente, entre 35% e 45% de todo o gás natural consumido pela Europa vem da Rússia.

A União Europeia rompeu alguns contratos com a Gazprom para tentar buscar outros fornecedores, como a Noruega, que diminuíssem a dependência do bloco com o gás vindo da Rússia.

A crise europeia

Na Europa, os preços do gás natural dispararam, gerando um risco de escassez em meio à proximidade do inverno no continente, onde o gás também é usado para abastecer os sistemas de aquecimento.

Por lá, o vilão é exatamente o gás natural. Componente importante das matrizes energéticas no continente, além de ser a fonte de aquecimento de residências, o preço da commodity disparou nos últimos meses.

O motivo é a retomada da economia com o avanço da vacinação contra a Covid-19. Conforme os negócios reabrem e as pessoas saem mais de casa, aumenta a demanda por energia, incluindo das indústrias, que passaram a produzir mais.

Aqui vale a lei tradicional do mercado: se há mais demanda, e a oferta não se altera, os preços sobem. Tendo que pagar mais pelo gás, as altas acabam se refletindo nas contas de luz, que devem subir pelo continente.

De acordo com o Independent Commodity Intelligence Services, entre o início de agosto e o meio de setembro o gás ficou 119% mais caro na Alemanha. Na França, o aumento foi de 149%.

O cenário europeu piorou ainda mais, já que a produção de energia no continente via fontes eólicas ficou abaixo do esperado, em especial na região do Mar do Norte, o que demanda uma complementação, via gás natural.

A situação ainda deve piorar nos próximos meses, com a chegada do inverno. As baixas temperaturas aumentarão a demanda por gás natural para uso em sistemas de aquecimento.

A crise vai além da União Europeia.

O Reino Unido também tem enfrentado uma alta nos preços do gás natural, refletindo aumento nas contas de luz. O país acabou sendo prejudicado pelo Brexit, já que também saiu do mercado comum europeu, em que os preços do gás são menores.

Para completar, o Reino Unido também enfrenta dificuldade em distribuir combustíveis, com falta de motoristas de caminhão. Diversos postos viram suas bombas secaram, e o governo precisou usar o exército para garantir a distribuição.

E onde entra a Rússia?

O país liderado por Putin, por sua vez, segura seu estoque de gás natural.

A Rússia tem controlado a oferta, sinalizando mais pressões sobre os preços dos consumidores europeus que se aproximam da estação de aquecimento no inverno.

O fornecimento de gás russo através do gasoduto Yamal-Europa caiu quase 77% na sexta-feira (1º) em relação à quinta-feira (30), de acordo com dados da operadora de rede Gascade, já que a Gazprom controlada pelo Kremlin reservou apenas um terço de sua capacidade disponível para outubro.

*Com informações de João Pedro Malar e Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business

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