XP: Bolsa terá até 100 ofertas de IPO e follow-on em 2021

Em 2020, a bolsa de São Paulo teve 27 ofertas primárias e 23 ofertas secundárias no ano, levantando mais de R$ 110 bilhões em capital

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Pedro Mesquita, XP
Pedro Mesquita, head do banco de investimento e sócio da XP: otimismo em meio à pandemia
Foto: Divulgação/XP

Se as perspectivas para a economia real em 2021 ainda são incertas, a bolsa de valores do país vem demonstrando um viés amplamente positivo desde novembro do ano passado, sem prazo para a festa acabar.

Prova disso é que dezenas de empresas estão em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aguardando a anuência do órgão regulador para realizar ofertas primárias, também conhecidas como IPOs, e secundárias, chamado de follow-on.

Nessa linha, Pedro Mesquita, head do banco de investimento e sócio da XP, acredita em um ano histórico. “Estamos trabalhando com o número de 80 a 100 ofertas em 2021, entre primárias e secundárias, de segmentos variados”, disse ao CNN Brasil Business.

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Entre as companhias na “fila” para abrir capital, há realmente um pouco de tudo: Mobly e Westwing, do varejo de decoração; Kalunga, de papelaria e eletrônicos; Eletromidia, de comunicação; Intelbras, de telecomunicações. Isso para citar algumas.

Outra candidata é a Agro Galaxy, de insumos agrícolas, setor que Mesquita vê forte potencial. “O setor de agro, que é muito forte e tem pouca penetração em bolsa até aqui, é um dos que está no nosso pipeline”, disse.

Mas, ao que tudo indica, a variedade não deve ser somente setorial. Empresas como Méliuz, Enjoei e Track&Field mostraram que pode (e deve) haver interesse cada vez maior por small caps, algo comum em mercados mais desenvolvidos.

“Aqui, existia o mito que a empresa precisa ser enorme para abrir capital. Agora, conforme a evolução do mercado acontece, fica mais palpável para empresas menores entrarem”, diz. “Exemplo disso foi a Priner, que apelidamos de mini IPO.” A empresa de serviços e manutenção de indústrias entrou na bolsa valendo menos de R$ 400 milhões.

Fica cada vez mais evidente, inclusive, que a bolsa está se tornando uma opção viável de captação para startups, dividindo este espaço que antigamente era ocupado quase exclusivamente por fundos de venture capital.

Desafios

Com o ambiente ajudando, Mesquita ressalta que a participação do investidor do varejo (ou de capital pequeno) na B3 vem disparando nos últimos anos, mas diz que ainda existe muito espaço para crescer.

“Quando tivemos um boom de IPOs em 2007, 90% do dinheiro vinha de fora do Brasil. Isso mudou em 2020”, afirma. “Quanto ao varejo, a participação começa a avançar, mas ainda não é proeminente. Tem tudo para continuar ganhando relevância nos próximos anos.”

Sobre o padrão de investimentos dos novatos, ele explica que é natural a procura por marcas mais populares ou conhecidas do grande público, que têm um lastro mais visível. Exemplo disso é a participação de pessoas físicas nos papéis do Magalu.

Já sobre as companhias que buscam um lugar na B3, Mesquita diz que a XP tem buscado ajudar essas empresas em diferentes aspectos, além de tentar expandir essa busca para além dos limites das regiões Sul e Sudeste.

“As empresas brasileiras deram um salto muito grande quando o assunto é governança, mas precisa seguir evoluindo”, diz. “Também estamos tentando olhar fora da caixa. Existem várias empresas como o Grupo Mateus pouquíssimo exploradas e com mercado gigantesco.”

Em 2020

A entrada de novas empresas na bolsa foi uma montanha-russa em 2020. O ano começou com expectativas altas, e o mercado se preparava para uma enxurrada de IPOs. Houve quatro ofertas primárias na B3, bolsa brasileira, até que veio a crise, em março.

No entanto, a rápida atuação de Bancos Centrais ao redor do globo, despejando trilhões na economia, criou uma liquidez muito grande no mercado, melhorando o sentimento dos investidores. Com isso, os IPOs voltaram ao cardápio no segundo semestre.

A bolsa de São Paulo teve 27 ofertas primárias e 23 ofertas secundárias no ano, levantando mais de R$ 110 bilhões em capital, segundo Gilson Finkelsztain, CEO da B3.

É possível citar casos de sucesso, como a Locaweb, que cresceu mais de 200% no ano, e a Rede D’Or, que entrou na B3 valendo mais de R$ 100 bilhões. E também desistências, como foi o caso da varejista Havan e de várias incorporadoras e construtoras de menor porte.

Também chama atenção a variedade de setores representados nas novas aberturas de capital, com presença de empresas menores. A lista tem desde redes de estacionamentos e hospitais, passando por diversas modalidades de varejo (inclusive de pets) até plataformas de cashback e brechó online.

 

 

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