Araras-canindé voam em Parque Nacional da Tijuca após mais de 200 anos

Último registro confirmado da espécie em vida livre na capital fluminense foi em 1818

Felipe Souza, da CNN Brasil
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Araras-canindé estavam extintas na cidade desde o século 15  • Reprodução
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As araras-canindé voltaram a sobrevoar o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, após mais de dois séculos de ausência. As primeiras aves foram soltas nesta semana e já estão sendo avistadas explorando a floresta e áreas do entorno do Alto da Boa Vista, segundo nota conjunta do Projeto Refauna e da administração do parque.

A reintrodução faz parte de um trabalho de conservação da biodiversidade conduzido pelo Projeto Refauna, que atua na recuperação de espécies extintas localmente no parque. Além das araras-canindé, o projeto já realizou a reintrodução de cutias, jabutis e bugios, contribuindo para o restabelecimento do equilíbrio ecológico da Mata Atlântica na região.

Segundo o projeto, as araras-canindé estavam extintas na cidade desde o século 15, principalmente devido à caça e da perda de habitat. O último registro confirmado da espécie em vida livre na capital fluminense foi em 1818, de uma captura de Johann Natterer.

“A Mata Atlântica perdeu muitas das espécies da flora e da fauna ao longo dos últimos séculos. Mesmo onde há floresta, ela muitas vezes está silenciosa, vazia. Ao trazer de volta animais como as araras, estamos restaurando funções ecológicas e sons e ajudando a natureza a se regenerar”, afirmou o Biólogo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Marcelo Rheingantz.

Conforme as instituições responsáveis, a colaboração da população que mora, circula ou frequenta o entorno do parque é considerada essencial neste momento inicial de adaptação das aves. O objetivo é garantir a segurança das araras e evitar interferências que comprometam o processo de reintrodução.

Em caso de avistamento, a orientação é que as pessoas comuniquem o Projeto Refauna, informando o local, o dia e o horário, além de fotos ou vídeos, se possível. Caso o animal esteja em situação de risco, ferido ou preso em local perigoso, a recomendação é acionar a Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros, além da Linha Verde, que recebe denúncias de forma anônima.

As instituições reforçam ser fundamental não alimentar, não tocar e não tentar atrair as araras, já que a alimentação humana e a aproximação podem prejudicar a adaptação das aves ao ambiente natural e colocá-las em risco.

A população também pode contribuir registrando os avistamentos por meio do aplicativo SISS-Geo, desenvolvido pela Fiocruz. A ferramenta é gratuita e permite o envio de registros mesmo sem conexão com a internet.