Artemis II: por que não vemos estrelas nas fotos da Lua? Entenda o fenômeno
Especialista em astronomia explica que contraste com o brilho lunar impede câmeras de registrarem os astros nas imagens divulgadas pela Nasa
A ausência de estrelas nas imagens feitas entre terça-feira (7) e quarta-feira (8) pelos astronautas da Artemis II e divulgadas pela Nasa, gerou dúvidas e até teorias sobre o seu desaparecimento entre o público. "Cadê as estrelas?" foi uma das perguntas feitas pelos internautas nas publicações da CNN Brasil.
No entanto, a explicação para esse fenômeno é simples e está relacionada ao contraste da luz. Segundo o especialista Thiago Signorini Gonçalves, professor e diretor do Observatório do Valongo, o instituto de astronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o problema não é a inexistência das estrelas, mas na dificuldade de registra-las já que há um objeto muito mais brilhante na imagem: a Lua.
“Quando você fotografa a Lua ou a Terra a partir do espaço, esses corpos são extremamente luminosos. A câmera precisa se ajustar a essa intensidade de luz, e, por isso, acaba não captando o brilho das estrelas, que é muito mais fraco”
Você já tentou tirar foto da Lua e ela não ficou exatamente como você queria?
Para Thiago, a situação das fotos da Nasa pode ser comparada a uma fotografia tirada na Terra. Mesmo em um céu estrelado, se uma pessoa estiver iluminada por um holofote forte, a tendência é que as estrelas desapareçam na imagem.
Isso acontece porque o equipamento precisa escolher entre registrar o objeto mais claro ou o mais escuro, já que não é possível tirar com nitidez ambos os objetos. Este contexto também se aplica quando tiramos fotos da própria Lua e ela não fica exatamente ao que estamos vendo a olho nu.
Neste caso, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen -- especialistas que estão na reta final da missão e que devem retornar à Terra -- estão vendo as estrelas e a Lua de forma viva, apenas não conseguiram capturar ambas nas imagens.
O professor explica que para as estrelas serem registradas pelas câmeras, seria necessário utilizar a técnica de longa exposição, que consiste deixar o sensor do equipamento captando luz por mais tempo. No entanto, ao aplicar esse ajuste em um ambiente com objetos muito brilhantes, como a superfície lunar, o resultado seria uma imagem “estourada”, sem detalhes.
"Se você tem um objeto muito brilhante, ela tá expondo a luz durante pouquinho tempo. Ele lembra o celular no modo noturno. Às vezes ele tem que ficar registrando a luz durante um tempo para os objetos mais fracos aparecerem. É a mesma ideia, é só você conseguir deixar sua câmera coletando luz por mais tempo que ela vai conseguir pegar as estrelas. Só que se ela fizesse isso, a luz da Lua ou da Terra, estaria sobre exposta, né? Ela estaria saturando a imagem", concluiu.
*Sob supervisão de Thiago Félix


