"Asteroide perturbador" dribla Defesa Planetária e se revela cometa escuro

Nova pesquisa foi liderada por cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa

Helena Barra, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Uma nova pesquisa liderada por cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa revelou a identidade de um misterioso objeto próximo da Terra, rastreando seu movimento no espaço e utilizando observatórios que captam imagens de objetos celestes tênues.

O estudo aponta que imagens anteriores não haviam revelado atividade semelhante à de um cometa, sugerindo que poderia ser um asteroide, mas seu movimento recentemente se mostrou irregular, como o de um cometa.

O enigma começou em 28 de agosto de 2025, quando o objeto, provisoriamente conhecido como asteroide 1998 SH2, passou a uma distância segura de 3 milhões de quilômetros do nosso planeta durante sua órbita de 4 anos e meio ao redor do Sol.

Pesquisadores que buscavam observa-lo com o sistema de radar planetário da Rede de Espaço Profundo da Nasa calcularam sua posição usando dados de órbitas anteriores e levaram em consideração os efeitos que a gravidade do Sol e dos planetas teriam em sua trajetória. Mas quando o 1998 SH2 não apareceu onde esperavam, perceberam que algo inesperado estava influenciando o movimento do objeto.

Rastreamento de objetos

Ao usar a astrometria óptica para medir com precisão a posição do objeto no céu, os pesquisadores conseguiram identificar a causa.

Embora a órbita do objeto 1998 SH2 ao redor do Sol tenha sido bem rastreada de 1998 a 2016, ele completou duas órbitas solares sem observações adicionais por telescópios até as tentativas da Rede de Observação de Difusão em 2025.

Analisando todas as observações coletadas desde a descoberta do objeto em 1998, os pesquisadores determinaram as perturbações no movimento do 1998 SH2 e levantaram a hipótese de que o objeto pode estar gerando um pequeno impulso ao expelir gás para o espaço, o que o faz desviar de sua trajetória prevista.

Essa emissão de gases resulta do aquecimento do gelo misturado com material rochoso pelo Sol, transformando o gelo em gás. Em cometas comuns, essa atividade forma uma cauda brilhante característica e uma coma — o gás e a poeira que circundam o núcleo do cometa. Mas quando um objeto produz gás e poeira em quantidades muito menores, sua cauda e coma podem não ser detectáveis ​​pela maioria dos observatórios.

“As imagens que coletamos desses observatórios mostraram uma cauda fraca, mas nítida, confirmando assim que o cometa 1998 SH2 é, de fato, um cometa”, disse Olivier Hainaut, astrônomo do Observatório Europeu do Sul e coautor do estudo.

Como resultado da investigação, o cometa 1998 SH2 receberá uma designação provisória adicional: P/1998 SH2.

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Implicações para a Defesa Planetária

A pesquisa também lança luz sobre outra classe de objetos ainda mais incomum, chamada cometas escuros. Assim como o 1998 SH2, os cometas escuros exibem irregularidades significativas, ou perturbações, em sua trajetória, mas não apresentam outras evidências visíveis de atividade cometaria.

Esses objetos enigmáticos se dividem em duas populações distintas: os maiores, com órbitas semelhantes às dos cometas da família de Júpiter, e os menores, que orbitam mais perto do Sol. Desde a descoberta do primeiro cometa escuro em 2016, cerca de uma dúzia de outros foram identificados.

Os autores do artigo sugerem que muitos dos cometas escuros maiores, que possuem órbitas semelhantes à do 1998 SH2, podem se revelar cometas regulares se os astrônomos tiverem a oportunidade certa de observá-los com telescópios potentes capazes de captar imagens de objetos incrivelmente tênues.

Além disso, ao analisar o movimento de todos os objetos próximos da Terra usando dados astrometricos de precisão, os pesquisadores podem descobrir mais cometas que antes eram classificados como asteroides, caso apresentem perturbações não gravitacionais semelhantes às de cometas.