Balões da Nasa na Antártida tentam desvendar a antimatéria
Pesquisa teve início em dezembro de 2025 e foi finalizada no início deste ano com quatro voos bem sucedidos realizados em uma base americana no continente

Quatro voos na Antártida foram concluídos com sucesso pelo Programa de Balões Científicos da Nasa durante uma campanha de longa duração que começou no início de dezembro. Os balões foram lançados das instalações da agência localizadas perto da Estação McMurdo da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos, na plataforma de gelo de Ross.
O balão do GAPS (Espectrômetro Geral de Antipartículas) decolou em 15 de dezembro. A carga útil do GAPS é um experimento projetado para detectar partículas de antimatéria que entram na atmosfera da Terra, com o objetivo de ajudar a revelar a origem da matéria escura — uma forma invisível de matéria que se estima constituir mais de 80% da matéria total do universo.
A missão GAPS voou por um total de 25 dias, 2 horas e 53 minutos antes de retornar ao gelo em 9 de janeiro.
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A PUEO (Carga Útil para Observações de Ultra-Alta Energia) foi lançada em 19 de dezembro e voou por um total de 23 dias, 8 horas e 52 minutos, retornando ao gelo em 12 de janeiro. A carga útil da PUEO foi projetada para detectar sinais de neutrinos, partículas de alta energia que viajam pelo universo sem serem perturbadas, carregando informações sobre eventos a bilhões de anos-luz de distância. Esta foi a primeira missão lançada pelo programa Pioneiros da Astrofísica da Nasa, que apoia pesquisas científicas de astrofísica de grande impacto a um custo menor.

Dois balões secundários foram lançados manualmente em 21 de dezembro e tiveram suas operações encerradas em 25 de dezembro. Durante esse período de quatro dias, a Nasa manteve quatro balões em voo simultaneamente sobre a Antártica. Os dois lançamentos de balões secundários transportavam radiofaróis, chamados HiCal, em apoio à missão PUEO. Os sinais do HiCal possuem uma assinatura semelhante à de um evento de neutrino, permitindo que a equipe da PUEO verificasse sua sensibilidade de detecção a partir dos pulsos de rádio ocasionais e bem definidos do HiCal.
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Os balões de pressão zero, utilizados nesta campanha, mantêm-se em equilíbrio com o ambiente durante o voo. Eles preservam uma diferença de pressão zero graças a dutos que permitem a saída de gás, evitando o aumento da pressão interna à medida que sobem acima da superfície da Terra. Esse design de pressão zero, a órbita polar e a luz solar constante tornam os balões robustos e ideais para voos de longa duração, como os desta campanha.
O Centro de Voos Espaciais de Wallops da Nasa, na Virgínia, administra o programa de voos científicos com balões da agência. A Peraton, que opera o Centro de Balões Científicos de Columbia da Nasa em Palestine, Texas, fornece planejamento de missão, serviços de engenharia e operações de campo para o Programa de Balões Científicos da Nasa. Os balões da NASA são fabricados pela Aerostar International.
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O Programa de Balões Científicos da Nasa é financiado pela Divisão de Astrofísica da Diretoria de Missões Científicas na sede em Washington.
*Sob supervisão de AR.


