Castores podem virar aliados contra mudanças climáticas, diz estudo

Pesquisa publicada na Nature aponta que áreas alagadas criadas por castores funcionam como sumidouro de carbono

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
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Um estudo publicado na revista Nature mostrou que áreas alagadas formadas por represas de castores podem funcionar como sumidouros líquidos de carbono, retendo grandes quantidades do elemento ao longo do tempo.

A pesquisa calculou o balanço anual de carbono em um corredor fluvial e concluiu que a área úmida criada pelos animais retém cerca de 98,3 toneladas de carbono por ano, o equivalente a 26% de todo o carbono que entra no sistema.

Segundo os pesquisadores, a maior parte da retenção ocorre pelo armazenamento subterrâneo de carbono inorgânico dissolvido, responsável por mais da metade do total acumulado no pântano.

O estudo também identificou variações sazonais. No verão, quando o nível da água diminui e sedimentos ficam expostos, há maior emissão de dióxido de carbono. Já as emissões de metano foram muito baixas, representando menos de 0,1% do balanço anual.

Ao longo do tempo, a inundação provocada pelas represas transforma biomassa terrestre, como madeira morta, em armazenamento duradouro de carbono. Os pesquisadores estimam que, em cerca de 33 anos, a área pode acumular mais de 1.100 toneladas de carbono em sedimentos e madeira.

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Em um cenário sem a presença de castores, o rio analisado reteria apenas cerca de 0,5 tonelada de carbono por ano. O estudo conclui que a alteração do ambiente feita pelos animais aumenta significativamente a capacidade de captura de carbono e pode contribuir para a mitigação das mudanças climáticas.