Células-tronco do nariz abrem caminho para tratar lesões na medula espinhal
Estudo da USP utiliza células da mucosa olfativa e apresenta resultados positivos na recuperação de funções motoras em testes com animais

Pesquisadores de diferentes centros da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram uma terapia experimental que utiliza células-tronco da mucosa olfativa para tratar lesões na medula espinhal. Os testes, realizados em modelos animais, demonstraram uma recuperação significativa das funções motoras nas cobaias.
A pesquisa focou nas células ectomesenquimais, que são responsáveis pela regeneração contínua do sistema olfativo. De acordo com os cientistas, essas células são obtidas por meio de procedimentos pouco invasivos, superando limitações associadas ao isolamento de células-tronco de cordão umbilical ou de medula óssea.
Experimento e mecanismo de regeneração neurológica
No modelo experimental com ratos Wistar, o grupo que recebeu a injeção dessas células associada a um composto biológico gelatinoso (Matrigel) voltou a andar na terceira semana após a contusão medular.
O estudo revelou que, ao contrário das teorias anteriores, as células-tronco transplantadas não preenchem fisicamente o local lesionado para criar uma nova via de condução nervosa. Em vez disso, elas atuam recrutando e gerando substâncias que estimulam a regeneração neuronal na própria região afetada.
Próximos passos e testes clínicos
Embora os resultados sejam preliminares e restritos a testes laboratoriais em animais, o avanço abre perspectivas para o desenvolvimento de futuros tratamentos em humanos.
A pesquisa foi conduzida pelo médico Brian Coimbra, em sua tese de doutorado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), sob orientação do professor Alexandre Fogaça. O grupo agora busca aprofundar a compreensão dos mecanismos moleculares para viabilizar a transição da terapia para ensaios clínicos e o possível desenvolvimento de fármacos.


