Ciência explica como existem mais cores do que podemos enxergar; entenda

Limitações biológicas do olho humano impedem a percepção de fenômenos como luz ultravioleta e infravermelha, visíveis para outras espécies e alguns grupos de pessoas

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
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A visão humana é capaz de processar apenas uma fração da iluminação e das cores presentes no ambiente. Estudos biológicos indicam que o mundo é significativamente mais colorido do que o percebido pelo homem, uma vez que o olho humano não capta todos os comprimentos de onda e intensidades de luz disponíveis.

Enquanto a maioria das pessoas enxerga cerca de um milhão de cores, outros seres vivos e até mesmo um grupo específico de seres humanos possuem receptores capazes de identificar uma gama muito mais ampla do espectro de luz.

O papel dos fotorreceptores na visão

A percepção das cores ocorre por meio de células especializadas localizadas na retina, chamadas cones e bastonetes.

Os bastonetes são responsáveis por captar a intensidade luminosa, permitindo a visão em ambientes com pouca luz.

Já os cones são os fotorreceptores que captam a frequência da luz, que o cérebro interpreta como cor.

O ser humano médio possui três tipos de cones, o que limita sua visão ao espectro que vai de 380 a 750 nanômetros.

Fora dessa faixa, existem frequências como a luz ultravioleta, infravermelho, raios X e raios gama, que são invisíveis para o olho humano, mas presentes na natureza.

Diferenças entre espécies e o tetracromatismo

A capacidade de enxergar cores varia drasticamente entre os seres vivos devido à quantidade de cones presentes nos olhos.

Cães, por exemplo, possuem apenas dois tipos de cones e enxergam menos cores que os humanos.

Em contrapartida, aves possuem geralmente quatro tipos de cones, e a lagosta boxeadora apresenta pelo menos 15 tipos de receptores, permitindo que ela veja milhões de cores a mais que o homem.

Na espécie humana, existe uma variação genética conhecida como tetracromatismo, observada quase exclusivamente em mulheres com dois cromossomos X.

Essas pessoas possuem quatro tipos de cones em vez de três, o que as torna capazes de distinguir cerca de 100 milhões de cores, superando em cem vezes a percepção da média da população.

A luz invisível para os seres humanos

Muitos animais utilizam comprimentos de onda que o homem só consegue detectar com auxílio tecnológico. Abelhas enxergam em ultravioleta, enquanto serpentes, salmões e alguns insetos percebem o infravermelho.

Além disso, outras espécies, como as sépias, conseguem ver a luz polarizada, outra característica da luz que passa despercebida pela visão humana convencional.

Essa diversidade sensorial demonstra que a visão humana evoluiu para priorizar o espectro de luz solar predominante no planeta, resultando em uma filtragem biológica que deixa de fora diversas frequências do mundo iluminado.