Copa do Mundo: clima pode interferir em partidas, diz estudo científico
Estudo indica que mudanças climáticas aumentam probabilidade de calor excessivo em 93% dos jogos, o que pode prejudicar rendimento dos atletas se temperaturas atingirem mais de 28°C

A Copa do Mundo de 2026, disputada em cidades nos Estados Unidos, México e Canadá, traz um fator extracampo que pode comprometer o desempenho das seleções no Mundial: o calor extremo impulsionado pelas mudanças climáticas. De acordo com um estudo da Climate Central, 97 das 104 partidas programadas para o torneio estão sob risco de sofrerem com as altas temperaturas.
O cenário é considerado crítico para quase metade do torneio, em que 49 partidas apresentam pelo menos 50% de chance de registrar condições térmicas que debilitam fisicamente os atletas. Em 26 desses confrontos, a influência direta das mudanças climáticas aumentou a probabilidade de calor extremo em mais de 10 pontos percentuais.
A preocupação dos estudiosos está, principalmente, no limite térmico de 28ºC (82,4ºF), patamar identificado em estudos anteriores como ponto determinante para mudar o desempenho físico dos atletas de futebol.
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Os levantamentos apontam que, acima dessa temperatura, os jogadores passam a percorrer distâncias totais menores, realizam menos sprints e perdem o ritmo explosivo necessário para jogadas decisivas.
O que chama atenção é que a fadiga térmica pode fazer com que algumas seleções mudam a maneira de jogar e de montar táticas de jogo. Equipes que usam mais da velocidade e da pressão constantes podem ser as principais prejudicadas.
Confrontos mais perigosos
O estudo destaca confrontos específicos onde o clima será um desafio a mais na partida. Veja abaixo os confrontos mais "perigosos":
- Alemanha x Curaçao (Houston), 14 de junho): apresenta 96% de possibilidade de calor que prejudica o desempenho dos atletas
- Inglaterra x Croácia (Dallas, 17 de junho): apresenta 95% de change de atingir temperatura que possa prejudicar o desempenho dos atletas, mesmo com a partida sendo em um estádio climatizado;
- Escócia x Brasil: apresenta 95% de possibilidade de calor que prejudica o desempenho dos atletas
- Uruguai x Espanha (Guadalajara, 26 de junho): Há 70% de chance de calor debilitante, uma probabilidade de 37 pontos percentuais maior do que seria sem a poluição global;
- A grande final (Nova Jersey, 19 de julho): Mesmo em uma sede mais ao norte, a chance de calor que altera as condições físicas dos atletas é de 47%, quase o dobro do risco histórico.
Segurança dos jogadores
Além do desempenho, a segurança dos atletas sofre um impasse. O sindicato global de jogadores (FIFPRO) usa o índice de calor úmido (WBGT), que combina temperatura, umidade e radiação sola, para definir protocolos de sáude.
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A recomendação da entidade é que as partidas devem ser adiadas quando o índice atingir 28°C WBGT, por ser considerado um nível inseguro para a prática esportiva.
No entanto, de acordo com um estudo da World Weather Attribution as normas atuais da FIFA são diferentes e avaliam a possibilidade de interrupção ou adiamento dos jogos apenas quando a influência atingir os 32°C WBGT.
Adaptação ao calor
Das 16 cidades-sedes da Copa do Mundo, apenas três possuem estádios totalmente climatizados: Atlanta, Dallas e Houston. Além disso, duas arenas contam com resfriamento passivo ou teto retrátil.
Porém, a grande maioria dos estádios (11) é ao ar livre, o que deixa jogadores e torcedores expostos diretamente ao pico do calor.
Para tentar mitigar os efeitos, a organização da Copa elaborou medidas como paradas obrigatórias de três minutos em cada tempo de todos os jogos, prioridade para partidas no período da noite em cidades historicamente mais quentes (Miami e Monterrey) e uso de ferramentas para estimar estresse térmico nas sedes e orientar decisões de última hora.
A Copa do Mundo começa no dia 11 de junho e termina no dia 19 de julho. A primeira partida acontece entre México e África do Sul, confronto que reedita a estreia da Copa de 2010. O jogo acontece no Estádio Azteca, na Cidade do México, às 13h do horário local ou às 16h no horário de Brasília.


