Cratera misteriosa na cidade de São Paulo surgiu após impacto de asteroide

Estudo de minerais no subsolo de Parelheiros comprova que estrutura circular de 3,6 km de diâmetro foi gerada pela queda de corpo celeste

Beto Souza, da CNN Brasil, São Paulo
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Uma pesquisa geológica recente confirmou que a estrutura circular localizada no distrito de Parelheiros, a cerca de 40 quilômetros do centro de São Paulo, foi originada pelo impacto de um corpo celeste asteroide contra a superfície terrestre. A estrutura circular e sua morfologia característica na paisagem foram documentadas cientificamente pela primeira vez em 1961.

O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), identificou deformações microscópicas exclusivas de colisões de alta energia em cristais de zircão coletados no subsolo da Cratera de Colônia.

A confirmação encerra debates sobre a origem da depressão circular, que possui cerca de 3,6 quilômetros de diâmetro. Até então, outras hipóteses geológicas, como o tectonismo regional e o metamorfismo tardio, tentavam explicar a formação da área.

Evidências geológicas no subsolo paulistano

Para comprovar a origem por colisão, os cientistas analisaram amostras extraídas de furos de sondagem profunda realizados no interior da cratera. Abaixo de uma camada sedimentar que atinge até 275 metros de espessura, a equipe recuperou rochas fragmentadas conhecidas como brechas de impacto e suevitos.

O foco do estudo foi a análise mineralógica de grãos de zircão, um mineral altamente resistente ao intemperismo e à alteração química. Por meio de microscopia de luz polarizada de alta resolução, os cientistas mapearam as microestruturas de deformação em 40 cristais selecionados.

Os resultados apontaram a presença de feições de deformação planar (PDFs) e texturas granulares nos cristais de zircão. Essas modificações na estrutura cristalina só ocorrem sob condições extremas de pressão e temperatura, causadas pela propagação de ondas de choque geradas por impactos hipervelozes.

Exclusão de outras teorias geológicas

A investigação também descartou formalmente a influência de atividades vulcânicas ou de movimentos tectônicos locais para a formação do relevo de Colônia. Segundo os autores do estudo, as forças tectônicas regionais são incapazes de gerar a taxa de deformação observada em minerais mecanicamente tão estáveis quanto o zircão.

Além disso, a ausência de associações metamórficas profundas e de novos minerais indicadores nas rochas hospedeiras inviabiliza a hipótese de re-metamorfismo.

Outros indicadores de choque encontrados no mesmo nível estratigráfico reforçam a tese do impacto celeste:

  • PDFs em quartzo, que exigem pressões transientes muito superiores às tectônicas.
  • Deformações mecânicas (kink bands) em micas.
  • Presença de esférulas ricas em ferro, magnésio e silício, interpretadas como poeira condensada da pluma de vaporização do impacto.

O valor científico da preservação de Colônia

A Cratera de Colônia é apontada como um caso incomum entre crateras profundamente erodidas devido ao seu alto nível de preservação. O preenchimento sedimentar protegeu as estruturas deformadas ao longo do tempo, transformando a região em um registro geológico conservado na Região Metropolitana de São Paulo.

A pesquisa demonstra a confiabilidade do zircão como ferramenta para identificar crateras antigas e erodidas no planeta, oferecendo um método padrão para futuras reconstruções estruturais e geológicas em outras partes do mundo.