Documentos revelam investigação dos EUA sobre OVNI na Bahia

Arquivos de 1963 detalham como a embaixada norte-americana apurou o boato de uma suposta queda de esfera metálica com tripulante em Conde

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
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Documentos oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos revelam que o governo norte-americano investigou o suposto impacto de um OVNI (Objeto Voador Não Identificado) no município de Conde, na Bahia, em novembro de 1963.

Os relatórios diplomáticos desclassificados mostram a mobilização de agências como a NASA e o Departamento de Defesa dos EUA para apurar relatos que circulavam na imprensa brasileira sobre a queda de uma esfera metálica com um tripulante morto.

O boato da queda da "esfera metálica"

O caso teve início após uma transmissão da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, no dia 8 de novembro de 1963. A emissora noticiava que uma grande esfera metálica havia caído no centro de Conde, abrindo uma cratera de quatro metros de profundidade.

Segundo o relato radiofônico da época, o objeto possuía aberturas em formato de janelas cobertas por um vidro grosso e abrigava em seu interior um corpo de aparência humana.

O suposto tripulante vestia roupas pesadas que apresentavam inscrições indecifráveis, o que intrigou a população local e mobilizou as autoridades policiais.

A investigação diplomática norte-americana

N época dos fatos, diante da repercussão do caso, a embaixada dos EUA no Rio de Janeiro contatou o consulado norte-americano em Salvador para verificar a veracidade das informações. Mensagens foram enviadas diretamente para Washington com o pedido de que fossem repassadas à NASA e às Forças Armadas dos EUA.

O cônsul dos EUA em Salvador, informou formalmente que a história era uma completa fabricação originada no Rio de Janeiro. Investigações locais constataram que ninguém na região de Conde havia avistado o objeto.

Embora o Secretário de Segurança Pública da Bahia tenha especulado inicialmente que o artefato poderia ser um balão meteorológico, nenhum avistamento ou queda foi confirmado.

Desmentido oficial e ironia na imprensa baiana

Os relatórios também registram a reação das autoridades brasileiras e da imprensa regional. O Ministério da Aeronáutica negou categoricamente a existência de qualquer "objeto estranho" em Conde.

O Jornal da Bahia, em matéria publicada no dia 11 de novembro de 1963 sob o título "A aeronave que não estava lá", ironizou o episódio. O repórter enviado ao local destacou que o único fato realmente digno de nota na cidade foi o envio de seu próprio telegrama por meio de um antigo transmissor de código Morse da repartição telegráfica federal.

A análise dos arquivos confidenciais demonstra o monitoramento ativo por parte das autoridades norte-americanas sobre relatos de fenômenos aéreos não identificados na América do Sul durante o período da Guerra Fria, mesmo em casos que rapidamente se provavam boatos jornalísticos.