Ebola: entenda sobre as mutações e as respostas científicas sobre o vírus

Vírus pode se adaptar e ser geneticamente diferente em vários órgãos do indivíduo infectado; pesquisa analisou progressão da doença em primatas semelhantes a humanos

Yasmin Silvestre, da CNN Brasil*, São Paulo
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A Ebola é considerada uma das doenças infecciosas mais graves e com maior taxa de letalidade, já que ela que possui uma classe de patógenos, como bactérias e fungos, que tem naturalmente uma alta chance de mutação no corpo dos seres vivos.

Neste sábado (30), em São Paulo, um caso de suspeita da doença, registrado em um homem de 37 anos, ressurgiu nos brasileiros as dúvidas sobre o risco de contágio e a sua formação genética.

Estudo internacional

Um estudo internacional publicado na revista Cell Genomics, mostrou como o Ebola (EBOV) pode se "esconder" e evoluir de forma diferente em diversos lugares do nosso corpo.

O Ebola é um vírus de RNA (ácido ribonucleico), responsável pela síntese de proteínas nas células do corpo.

O estudo identificou um padrão específico das mutações genéticas. A análise concluiu que elas não ocorrem apenas por erro de cópia do vírus, mas são impulsionadas pela atividade de edição de RNA do próprio hospedeiro (o organismo infectado), que tenta modificar o genoma viral (conjunto do material genético) como uma forma de defesa.

O estudo também mostrou que as mutações não são distribuídas de forma igual. Isso mostra que o vírus está sob diferentes pressões: algumas partes em que ele atinge precisam mudar para ele evoluir e sobreviver, enquanto outras precisam ficar exatamente como estão para ele continuar funcionando.

Com isso, por ser tão potente, ele pode entrar em diferentes tecidos, se esconder e realizar mutações em lugares diferentes. Ou seja, o vírus que está no sangue pode ser geneticamente diferente do vírus que está escondido em algum órgão reprodutor.

Essa capacidade de criar formas genéticas diferentes e protegidas dentro do próprio corpo, torna o Ebola muito mais difícil de erradicar do organismo e aumenta as chances de complicações a longo prazo.

Com essas mutações e diferentes hospedagens, ele pode causar uma múltipla falência dos órgãos naquele individuo que contraiu a doença.

Características do vírus

De acordo com o CDC (Centro de Controle de Doenças e Prevenção) dos Estados Unidos, o ebola é uma doença mortal e rara, com incidência principalmente na região da África Subsaariana. Seu vírus causador foi descoberto por cientistas em 1976.

Segundo o centro médico Mayo Clinic, o ebola não é contraído pelo ar. A doença é repassada por animais como morcegos que entram em contato com seres humanos.

A partir disso, a infecção é contraída por meio de fluidos corporais como: sangue, fezes, vomito, urina, saliva, lágrimas e suor.

Pacientes de ebola podem apresentar sintomas entre 2 a 21 dias de infecção. Esses sintomas podem incluir febre, dores no corpo e fadiga.

À medida que a pessoa fica mais doente, a enfermidade normalmente progride para sintomas mais graves, que podem incluir diarreia, vômito e sangramentos inexplicáveis.

O tratamento acontece por meio de controle de dor, dos fluidos e a nutrição dos pacientes.