Eclipse solar: entenda o que é e como acontece o fenômeno
Evento desta quarta-feira (12) ocorre quando Sol, Lua e Terra se alinham e poderá escurecer o céu em uma faixa que vai do Ártico ao sul da Europa
Um eclipse solar total acontece, nesta quarta-feira (12), com a Lua passando entre a Terra e o Sol e bloqueando completamente a luz solar para quem estiver em uma estreita faixa da superfície terrestre. O fenômeno poderá ser observado em partes da Groenlândia, Islândia, Norte da Espanha e em um pequeno trecho do Nordeste de Portugal. No Brasil, o eclipse não será visível.
O fenômeno ocorre por causa do alinhamento entre os três corpos celestes. Ao se posicionar entre a Terra e o Sol, a Lua projeta uma sombra sobre o planeta. Dependendo do ponto em que o observador estiver, o disco solar pode ser encoberto completamente ou apenas de forma parcial.
Eclipse solar total começa agora; acompanhe ao vivo
A sombra lunar é dividida em duas regiões. A umbra, a parte mais escura, corresponde à área em que o Sol fica totalmente encoberto e onde ocorre a totalidade. Já a penumbra, que se estende por uma área maior, é a região em que apenas uma parte do disco solar é bloqueada.
Por que eclipses solares não acontecem todos os meses
O eclipse solar só pode ocorrer durante a Lua Nova, fase em que a Lua fica posicionada entre a Terra e o Sol. Ainda assim, isso não significa que um eclipse aconteça a cada mês.
A órbita da Lua ao redor da Terra é inclinada cerca de 5 graus em relação ao plano da órbita terrestre ao redor do Sol. Por isso, na maioria das Luas Novas, a sombra do satélite passa acima ou abaixo da Terra, sem atingir sua superfície.
Quando ocorre o alinhamento adequado, a sombra lunar percorre uma faixa específica do planeta. É por isso que um eclipse solar total pode ser observado apenas em uma área relativamente pequena, enquanto o eclipse parcial alcança uma região muito mais extensa.
Quais são os tipos de eclipse solar
Os eclipses solares podem ser classificados em quatro tipos: total, parcial, anular e híbrido.
No eclipse total, a Lua cobre completamente o disco aparente do Sol. Com o bloqueio da superfície brilhante do astro, torna-se possível observar a coroa solar, sua camada mais externa.
No eclipse parcial, apenas uma parte do Sol fica encoberta pela Lua. Já no eclipse anular, o satélite está mais distante da Terra e, por isso, seu tamanho aparente não é suficiente para cobrir todo o disco solar. Nesse caso, um anel luminoso permanece visível ao redor da Lua.
O eclipse híbrido é mais raro e apresenta características de um eclipse total e de um anular em diferentes pontos de sua trajetória, dependendo da posição do observador em relação à sombra lunar.
Qual é a trajetória do eclipse desta quarta-feira
A faixa de totalidade do eclipse de 12 de agosto começa no norte da Rússia, próximo ao Ártico, e segue pelo nordeste da Groenlândia e pelo oeste da Islândia. Depois, atravessa o Atlântico Norte até alcançar o norte da Espanha e uma pequena área do nordeste de Portugal.
Na maior parte da trajetória, a totalidade dura menos de dois minutos. Próximo ao centro da faixa, no entanto, o período de encobrimento completo é um pouco maior. Um dos pontos de maior duração fica no Atlântico Norte, próximo à Islândia, com cerca de 2 minutos e 18 segundos de totalidade.
Na Espanha, o fenômeno ocorre no fim do dia, com o Sol próximo ao horizonte. Em cidades como León, a totalidade começa às 20h28 no horário local e dura cerca de dois minutos. Em outras áreas do país, o eclipse ocorrerá pouco antes do pôr do sol, criando um efeito de escurecimento repentino do céu.
O máximo global do eclipse acontece por volta das 14h46 no horário de Brasília. Esse horário, porém, não corresponde ao momento de maior cobertura em uma cidade específica, já que o fenômeno percorre diferentes regiões do planeta ao longo de sua trajetória.
Fora da faixa de totalidade, partes da Europa, do norte e oeste da África e da América do Norte terão a oportunidade de observar um eclipse parcial, com diferentes níveis de cobertura do disco solar.
O que acontece durante a totalidade
Quando a Lua encobre completamente o Sol, a luminosidade diminui de forma acentuada e o céu pode adquirir uma aparência semelhante à do início da noite. A temperatura também pode cair, e alguns dos astros mais brilhantes do céu podem se tornar visíveis. Nos instantes próximos à totalidade, outros efeitos podem ser observados.
Um deles é o chamado anel de diamante, formado pelo último ponto de luz solar que permanece visível antes de o disco do Sol ser completamente encoberto. Também podem aparecer as contas de Baily, pequenos pontos luminosos produzidos pela passagem da luz solar pelos vales e irregularidades da superfície da Lua.
Outro fenômeno associado aos eclipses totais são as chamadas bandas de sombra, faixas claras e escuras que podem se movimentar rapidamente sobre superfícies próximas ao observador nos momentos imediatamente anteriores e posteriores à totalidade. A explicação mais aceita relaciona o efeito à forma como a luz solar, reduzida a um fino crescente, atravessa a atmosfera terrestre e é afetada por suas turbulências.
Por que não se deve olhar diretamente para o Sol
Observar o Sol diretamente durante um eclipse parcial — ou durante as fases parciais de um eclipse total — pode provocar lesões graves e permanentes na retina. O problema é que esse tipo de dano pode ocorrer sem causar dor e nem sempre é percebido imediatamente.
Óculos de sol comuns não oferecem proteção suficiente. Para observar o fenômeno, é necessário utilizar filtros solares adequados, como óculos próprios para eclipses que atendam aos requisitos da norma ISO 12312-2. Equipamentos ópticos, como câmeras, binóculos e telescópios, também precisam de filtros específicos para observação solar.
A única exceção ocorre durante a totalidade, quando a Lua cobre completamente o disco brilhante do Sol. Nesse breve intervalo, é seguro olhar para o fenômeno sem proteção ocular. Assim que qualquer parte do Sol voltar a aparecer, no entanto, os filtros devem ser utilizados novamente.
Como acompanhar o fenômeno
Como o eclipse não será visível do Brasil, quem estiver no país poderá acompanhar o evento por transmissões ao vivo realizadas por agências espaciais e observatórios.
A Nasa fará uma transmissão com imagens de diferentes pontos da trajetória do eclipse, enquanto a Agência Espacial Europeia (ESA) também realizará uma cobertura a partir da Europa. As transmissões permitem acompanhar a totalidade mesmo em locais onde o fenômeno não poderá ser observado diretamente.
Agosto terá dois eclipses, e um visível no Brasil
O eclipse solar de 12 de agosto não será o único fenômeno do tipo neste mês. Na madrugada de 28 de agosto, ocorrerá um eclipse lunar parcial que poderá ser observado de todo o Brasil.
Durante o fenômeno, a Lua atravessará a sombra projetada pela Terra e poderá adquirir uma tonalidade avermelhada. No ponto máximo, cerca de 93% do disco lunar estará dentro da umbra, a parte mais escura da sombra terrestre.
Ao contrário do eclipse solar, a observação do eclipse lunar não exige proteção especial para os olhos. O fenômeno poderá ser acompanhado diretamente, desde que as condições meteorológicas permitam.
O próximo eclipse lunar total que poderá ser observado dessa forma em todo o Brasil está previsto para a noite de 25 para 26 de junho de 2029.
Próximo eclipse solar total será em 2027
O próximo grande eclipse solar total ocorrerá em 2 de agosto de 2027, com uma trajetória que passará pelo sul da Europa, norte da África e Oriente Médio.
O fenômeno será especialmente longo. No ponto de maior duração, a totalidade chegará a 6 minutos e 23 segundos, fazendo do eclipse de 2027 um dos mais impressionantes das próximas décadas. Em terra firme, será o eclipse solar total mais longo desde 1991.
A duração excepcional está relacionada à posição relativa entre Terra, Lua e Sol. Na ocasião, a Lua estará próxima do perigeu, ponto de sua órbita mais próximo da Terra, enquanto a Terra estará próxima do afélio, sua maior distância do Sol. Com a Lua aparentemente maior no céu e o Sol aparentemente menor, o período de totalidade pode se prolongar.
A faixa de totalidade de 2027 passará por regiões como Espanha, norte da África, Egito e Oriente Médio. O fenômeno, assim como o de 12 de agosto de 2026, não será visível do Brasil.


