Escaneamento a laser pode reduzir risco de queda de árvores em cidades
Nova tecnologia pode prevenir ocorrências graves, como as vistas em São Paulo e no Rio de Janeiro nesta semana
Uma nova ferramenta utilizada por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) pode reduzir o risco de queda de árvores urbanas e evitar apagões, danos em ruas e até mortes.
Um grupo de biólogos e engenheiros da USP (Universidade de São Paulo) aplicou pela primeira vez a LiDAR (Light Detection and Ranging) para investigar a saúde de árvores urbanas e adequar a poda — conforme divulgado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
A tecnologia de sensoriamento a laser cria uma "nuvem de pontos", uma espécie de molde digital 3D formado por milhões de coordenadas, que reproduz a arquitetura exata da planta dentro do computador. Com essa réplica virtual, os pesquisadores aplicaram um algoritmo de poda baseado em "otimização topológica".
A técnica simula a força dos ventos no modelo para identificar as regiões de maior fragilidade mecânica da planta. Assim, o sistema calcula exatamente quais galhos devem ser cortados para que a árvore redistribua suas tensões e fique mais forte e equilibrada.
O objetivo final do grupo é usar a técnica LiDAR e outras disponíveis para criar um aplicativo que oriente a poda, tornando as árvores mais resistentes aos ventos e evitando riscos de quedas. Para Marcos Silveira, coordenador do Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas da USP, podas mal calculadas deixam as árvores vulneráveis a vendavais.
"O problema é potencializado pelos túneis de vento, os chamados cânions urbanos. Rajadas de vento, chuva e alta temperatura durante a estação chuvosa aumentam o risco de queda, especialmente em árvores mal manejadas ou doentes", explica o especialista.
Os pesquisadores explicam que o scanner é montado em um tripé próximo à base de uma árvore, que deve estar bem iluminada, com condições climáticas devem estar favoráveis. O objetivo é capturar perspectivas suficientes para gerar a nuvem de 30 milhões de pontos que captura a forma da árvore.
Então, ocorre a "exposição aos ventos", que é simulada em um computador por meio de elementos que ajudam a prever como as árvores respondem a estresses como vento e temperatura. Por enquanto, a técnica LiDAR está sendo usada apenas para monitorar e catalogar as árvores da capital e não para orientar a poda.
Vendavais deixaram quase 2 milhões sem luz no RJ
Segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, o maior registro de vento foi de 105,5 km/h na região do Aeroporto do Galeão, entre 16h e 17h. Por conta da ventania, mais de 1,9 milhão de imóveis ficaram sem energia elétrica no estado.
Nesta sexta-feira (31), mais de 100 mil imóveis permanecem sem luz, conforme as últimas informações das concessionárias Light e Enel.
Os bombeiros informaram que a previsão do tempo para esta sexta é de céu parcialmente nublado, sem previsão de chuva significativa, e temperatura mínima prevista de 9°C na região Serrana. São esperados ventos fracos a moderados de Sudeste/Sul, com ocasionais rajadas moderadas.
Por conta da ventania registrada principalmente nessa quarta-feira (29), a corporação foi acionada para 797 eventos relacionados aos ventos em todo o estado, sendo 486 de cortes de árvores, 144 fogos em via pública, 69 salvamentos de pessoas, 7 desabamentos, 7 acidentes náuticos. Os bombeiros permanecem em alerta para quaisquer novas ocorrências.


