Especialista explica por que cinema exagera sobre olfato de tubarões
Existe a crença popular, reforçada pelo cinema, de que um tubarão pode farejar sangue a quilômetros de distância, mas isso é uma percepção que não condiz com a realidade
O cinema internacional explora há anos o medo sobre "ataques de tubarão" contra humanos. Em quase todas as produções, a trama traz um cenário de tragédias e naufrágios, e associam o perigo a partir da aproximação da espécie atraída pelo olfato, após derramamento de sangue humano no mar.
Dois casos em Pernambuco: estudo revela por que tubarões atacam humanos
Um pesquisa produzida pela Ocean Conservation Society explica como o cinema, especialmente através de filmes de "ataque de tubarão", cria uma imagem distorcida e exagerada das habilidades sensoriais.
Especialistas explicam narrativa
De acordo com a bióloga marinha, Maddalena Bearzi, filmes que costumam retratar tubarões cruzando grandes distâncias, quase instantaneamente ao sentirem uma gota de sangue humano, não correspondem com a realidade da espécie.
Existe a crença popular, reforçada pelo cinema, de que um tubarão pode farejar sangue a quilômetros de distância, mas isso é uma percepção que não condiz com a realidade.
"Tubarões não conseguem cheirar sangue através de um oceano com algum tipo de sentido 'sobrenatural'", segundo a especialista.
Os filmes sugerem que o sangue humano funciona como um "sino de jantar", mas a especialista esclarece que humanos não fazem parte da dieta natural dos tubarões.
"Mesmo que um tubarão consiga cheirar o sangue humano, isso não significa que seja a 'hora do jantar'. Esses predadores geralmente procuram suas presas favoritas, e nós não estamos entre elas", complementa.
Tubarão é mais que olfato
Enquanto o cinema foca quase exclusivamente no sangue e no olfato, ele ignora que os tubarões utilizam um sistema complexo de outros sentidos para localizar alvos, como a linha lateral (movimento da água), audição poderosa e as ampolas de Lorenzini (campos elétricos).
A bióloga reforça que seres humanos não fazem parte da dieta dos tubarões. Se estivessem caçando humanos ativamente, usariam todos esses sentidos, e não apenas o cheiro.
"Nos Estados Unidos, o risco de morrer por um raio é 30 vezes maior do que o de morrer por um ataque de tubarão", complementa.

