Fungo parasita que transforma aranha em "zumbi" é descoberto em MG

Espécie foi encontrada na Mata da Biologia e no Recanto das Cigarras, áreas de floresta localizadas dentro do campus da Universidade Federal de Viçosa

Larissa Soave e Helena Barra, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Uma nova espécie de fungo parasita de aranhas foi encontrada na Mata da Biologia e no Recanto das Cigarras, áreas de floresta localizadas dentro do campus da UFV (Universidade Federal de Viçosa), em Minas Gerais.

Segundo a pesquisa, a espécie pertence a um grupo que se hospeda e infecta aranhas, manipulando seu comportamento e transformando os animais em verdadeiros “zumbis”.

O fungo foi batizado pela equipe do Laboratório de Ecologia e Comportamento da Universidade (Labecom) de Gibellula mineira.

À CNN Brasil, o professor da UFV e orientador da pesquisa, Thiago Kloss, explicou que o nome foi escolhido para homenagear o local onde a nova espécie foi descoberta. Toda a descrição dela foi baseada em fungos coletados nas florestas do campus da universidade.

A descoberta brasileira se deu durante o mestrado da estudante Aline dos Santos, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPG Ecologia), e foi publicada na Fungal Biology, revista da tradicional Sociedade Micológica Britânica (British Mycological Society).

Para o professor Thiago Kloss, a descrição de novas espécies é fundamental para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade das florestas tropicais, especialmente de grupos ainda pouco estudados, como os fungos “caçadores de aranhas”.

"Os fungos são organismos frequentemente negligenciados em estratégias de conservação, e o avanço no conhecimento sobre a sua diversidade e distribuição é essencial para aumentar sua visibilidade e fortalecer iniciativas voltadas à sua proteção", afirmou.

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Além da descrição morfológica e da análise filogenética da nova espécie, o estudo também investigou o impacto do fungo na população da aranha hospedeira Iguarima censoria, encontrada nas áreas de floresta do campus.

A pesquisa amplia o conhecimento sobre as interações entre fungos parasitas e aranhas em florestas tropicais. O estudo também mostra que mesmo fragmentos de floresta inseridos em ambientes urbanos, como os presentes no campus da UFV, ainda podem revelar novas espécies para a ciência e contribuir para o conhecimento da biodiversidade da Mata Atlântica.

*Sob supervisão de AR.